quinta-feira, setembro 07, 2006

liberdade que continua incomodando...

A resposta tucana ao vídeo Liberdade, essa palavra, já comentada no post abaixo, foi um belo tiro no pé. Se até então o vídeo circulava no "gueto" dos jornalistas, comunicadores e militantes de Minas com acesso à internet, a partir do berreiro tucano a polêmica ganhou mais visibilidade, indo parar nas páginas da Folha de São Paulo. Como é uma matéria restrita a assinantes, copio-a aqui na íntegra:

Vídeo na internet culpa governo Aécio por demissão de jornalistas

A suposta atuação do governo Aécio Neves (PSDB), candidato à reeleição, para cercear a liberdade de imprensa em Minas Gerais gerou uma guerra de versões na internet.

A briga opõe os vídeos "Liberdade, essa palavra", projeto final do curso de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais de Marcelo Baêta, e "Liberdade de Imprensa em Minas", produzido pela campanha de Aécio.

O vídeo de Baêta trata de cinco demissões de jornalistas entre 2003 e 2004 que teriam sido causadas por pressões do governo Aécio.

Ouvidos por Baêta, o ex-diretor de jornalismo da TV Globo Minas Marco Nascimento, o ex-editor do "Estado de Minas" Ugo Braga e os apresentadores Ulisses Magnus (ex-TV Minas) e Paulo Sérgio (ex-Rádio Itatiaia) relacionam suas demissões com a veiculação de informações que teriam desagradado o governo. Nascimento relata reclamações contra uma reportagem feitas pela irmã de Aécio, a jornalista Andrea Neves.

O caso do radialista Jorge Kajuru - demitido da TV Bandeirantes após transmissão em que criticou o governo mineiro - também é citado.

Em 30 de agosto, o site do PT nacional publicou notícia sobre o vídeo de Baêta. No mesmo dia, o site do PSDB nacional classificou o vídeo de Baêta como "falsificação com fins eleitoreiros".

O vídeo "Liberdade de Imprensa em Minas" ouve novamente Nascimento e Braga, que negam responsabilidade do governo pelas demissões.

À Folha, Nascimento disse que, de fato, atribui sua demissão a uma decisão da Globo, mas que reiterava tudo o que disse a Baêta.

Baêta disse não ter vinculação político-partidária. Informou que o PT o procurou, mas que ele desautorizou o uso do vídeo. Disse ainda que o vídeo foi colocado no YouTube sem sua autorização.

NA INTERNET - Veja "Liberdade, Essa Palavra" (www.youtube.com/watch?v=UqEimw CupsQ&NR) e "Liberdade de Imprensa em Minas" (www.youtube.com/watch? v=rkhBSX y9s64)



Em seu site, o jornalista Marcelo Baêta, autor do vídeo, publicou a seguinte resposta a essa matéria da Folha:

No dia 5 de setembro de 2006, foi publicada nesta Folha matéria com o título "Vídeo na internet culpa governo Aécio por demissão de jornalistas". Como diretor e produtor do vídeo-documentário "Liberdade, essa palavra" tenho a declarar que o vídeo não atribui "culpa" a quem quer que seja por coisa alguma. Como informa a própria matéria, os jornalistas entrevistados "relacionam suas demissões com a veiculação de informações que teriam desagradado o governo". Não há, em momento algum, qualquer posicionamento editorial no vídeo, que foi feito com respeito aos princípios jornalísticos. Por isso, o vídeo reproduz 13 respostas: entre elas, sete de veículos de comunicação e quatro do governo do Estado. As respostas totalizam três minutos e 16 segundos dos 21 minutos de duração do vídeo.

A matéria da Folha registra corretamente que o vídeo foi postado no site You Tube sem minha autorização e, acrescento, incompleto. Ainda assim, coloca o link para o vídeo no You Tube. Melhor teria feito se colocasse o link para meu site pessoal, no qual o vídeo encontra-se disponível na íntegra, com informações fidedignas sobre o mesmo, no endereço www.amplifique.com.


Baêta publicou, também, uma Resposta ao vídeo da "Campanha Aécio 45":

Nos dias 30 de agosto e 2 de setembro de 2006, releases publicados no site do PSDB qualificaram o vídeo-documentário "Liberdade, essa palavra" de "falsificação", "manipulação", "fraude", "colagem grosseira", "vídeo do PT" e "vídeo petista". Na qualidade de diretor e produtor do vídeo, afirmo que não tenho e nunca tive vinculação ou atuação político-partidária e reafirmo o caráter acadêmico e jornalístico do trabalho.

Os releases no site do PSDB anunciam um vídeo feito pela "Campanha Aécio 45" em resposta ao vídeo "Liberdade, essa palavra". Nesse vídeo, afirmam que não havia autorização para a exibição dos depoimentos, o que não é verdade. Todos os entrevistados autorizaram por escrito a veiculação de seus depoimentos.

O vídeo-documentário "Liberdade, essa palavra" reproduz 13 respostas: entre elas, sete de veículos de comunicação e quatro do governo do Estado. As respostas totalizam três minutos e 16 segundos dos 21 minutos de duração do vídeo. O vídeo produzido pela "Campanha Aécio 45" trata basicamente de um assunto: (denegrir) o vídeo-documentário "Liberdade, essa palavra". Contudo, não procuraram quem o produziu e dirigiu para se posicionar, para responder, para se manifestar, em suma, não foi foi ouvido o outro lado.


--

O blogueiro Ricardo Moraleida, que deixou um comentário no post abaixo, faz uma apanhado geral do histórico dessa polêmica, e completa com algumas considerações pessoais interessantes. Recomendo a leitura e a maior ampliação possível do debate! Faço minhas aqui as palavras dele lá: "Até agora, que eu saiba, nenhum órgão da imprensa em Minas Gerais fez qualquer menção ao vídeo ou a denúncias."

--

Falando em ampliar o debate, nunca é demais lembrar que as denúncias de censura do governo Aécio sobre a imprensa vão muito além do vídeo de Marcelo Baêta. Para refrescar a memória (e, por que não?, pôr mais lenha na fogueira) seguem links para posts do início deste blog:
MEMÓRIA - A censura à mídia mineira (I) - sobre a demissão do cientista político Fernando Massote do Estado de Minas;
MEMÓRIA - A censura à mídia mineira (II) - sobre a demissão do jornalista Gilberto Menezes da Rede Minas e as reclamações recebidas pelo Sindicato; e
MEMÓRIA - A censura à mídia mineira (III) - sobre o caso Kajuru

--

Hoje, 7 de setembro, o Brasil "comemora" a sua indepedência. Desfiles, discursos e várias festividades ressaltam a importância da nossa tão cara LIBERDADE. Em algum lugar (em BH não era...), o governador Aécio Neves deve ter subido em um palanque para fazer a média e, com a mão direita ao peito, deve ter movido os lábios fingindo acompanhar o "Hino da Independência":

Já podeis, da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil:
já raiou a liberdade no horizonte do Brasil.
Já raiou a liberdade, já raiou a liberdade no horizonte do Brasil!
Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil!
Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil...


Não acredito nem que ele preste atenção à letra, mas quanto a nós, é bom lembrar que, desde a época de D. Pedro I, "essa palavra" tão maltratada é usada inúmeras vezes com fins levianos e demagógicos. Dia primeiro de outubro teremos a chance de gritar bem alto que não concordamos com tanta mentira, e que queremos sim mandar para longe esse temor servil. Queremos a prometida Pátria livre, a imprensa livre, as idéias livres. Se não temos muitas armas para lutar contra os poderosos, ao menos uma nós temos, e bem usada ela pode ser implacável: o nosso direito ao voto livre, secreto, individual e soberano. Façamos bom uso dela.

5 comentários:

Anônimo disse...

E o pior é que já tem jornalista dizendo que as verdadeiras culpadas são as empresas jornalísticas, ou seja, que quem censura a imprensa está simplesmente fazendo o seu papel, de buscar uma cobertura favorável, seja a que preço for e até mesmo usando dinheiro público. Como se o corruptor fosse legítimo e apenas o corrompido tivesse culpa. É absurdo.

Ricardo Moraleida disse...

Oi Clarice...

demorou mas postei a resposta do Marcelo Baeta sobre colocar os vídeos online... valeu pelo link aqui e vamos botando mais lenha na fogueira!

ao anônimo: concordo que a culpa parte da atitude do governo. Só não podemos esquecer que os veículos têm sua parcela de culpa por serem corrompíveis também. Vítimas indefesas aqui somos só nós...

Anônimo disse...

Longe de mim querer amenizar a responsabilidade dos veículos, que poderiam sim tentar, que fosse, resistir às pressões. Apenas não acho que a responsabilidade de um (corrompido) justifique ou isente o outro lado (corruptor). É jogar por terra a liberdade de imprensa, o dinheiro público e o fato de que quem está nos governos está investido em um cargo pelo voto. Tem responsabilidades públicas, o dinheiro é público e deveria ter outras utilizações mais nobres que não as de comprar o conformismo eo silêncio.

Clarice disse...

acho que todos concordamos que tanto os veículos quanto o governo têm suas responsabilidades. é claro que toda assessoria de governo vai tentar pautar a imprensa favoravelmente, mas existem limites éticos para isso. ameaças, veladas ou não, de qualquer tipo, extrapolam esses limites e configuram censura sim. aí erra quem manda e erra quem quem obedece. e o povo se ferra...

GORETTIIAMF disse...

NÓS NÃO TEMOS MÍDIA DECENTE.ESSE CARA,AÉCIO,PRECISA SER DESMASCARADO.GOSTAVA DO JORNALISMO DO MENEZES E NÃO SABIA PORQUE SAIU DA REDE MINAS.É ESSE O GOVERNO QUE MINAS ESCOLHEU? E NINGUÉM FEZ NADA? VAMOS DAR DURO NELES.