No último domingo, 01/11/2009, o jornalista Juca Kfouri deu a seguinte nota em seu blog:
Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio.
Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral.
A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.
Nota: Às 15h18, o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa.
O blog a mantém inalterada.
Como podemos adivinhar, nada saiu na grande imprensa, principalmente a mineira. Mas aos poucos alguns outros blogs foram repercutindo a notícia. Decepcionantemente, Luis Nassif não quis "entrar na querela" e classificou a questão de bater ou não bater como "coisa menor", apesar de condenar a postura baladeira do governador.
O Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha, reproduziu a opinião do sociólogo Rudá Ricci. Ressalto a seguir dois parágrafos com os quais concordo totalmente:
(...) 5) A notícia de Juca Kfouri já havia sido veiculada (sem citar nomes) por Joyce Pascowitch. Se fosse mentira, a resposta seria um processo por calúnia e não uma mera notinha da assessoria de imprensa. (grifo meu) Ainda mais em período pré-eleitoral, o que é devastador. Não sejamos ingênuos;
6) Juca foi além. Vejam o seu blog de hoje, dia 3, ele já havia chamado Aécio de covarde. Agora fala em "brilho", em mentira, em impostura, em blindagem. Cá entre nós, mesmo que fosse um jogo político, como alguém com o nome profissional de Kfouri pode atacar um governador a este ponto se fosse mentira? Está absolutamente na ofensiva e o governador mineiro está em total defensiva. Não seria estranho?
Em seu blog, Rudá Ricci ainda traz a entrevista que o jornalista Renato Rovai fez com o Juca Kfouri, em que ele afirma ter checado a história: "Antes de dar a nota fiz quatro ou cinco ligações pra festeiros cariocas amigos meus e todos me confirmaram a história, apesar de não terem visto a cena."
O jornalista Ailton Medeiros, que também publicou a história no domingo, afirma ao blog do Rudá que soube da história "na quarta-feira (28) por uma pessoa, numa conversa descontraída pelo MSN. Essa pessoa tem ligações com a irmã de Aécio Neves. Mas me pediu para não publicar nada temendo represália."
No dia 3, saíram fotos de Aécio com a namorada numa boa em uma praia catarinense, como se fosse coisa recente. Não era, e foi o mesmo jornalista Ailton Medeiros que desmascarou a farsa.
Eu afirmo desde o início que 1) essas coisas não surgem do nada, onde há fumaça a fogo, e 2) se fosse mentira, não tinha conversa, era processo no Kfouri no mesmo dia. Agora vamos ver até quando nossa imprensa vai continuar acobertando esse tipo de coisa lamentável.
(se alguém tiver mais links da repercussão da notícia, por favor, compartilhem nos comentários!)
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
o tapa de aécio na namorada
Quarta-feira, Junho 03, 2009
discussão sobre o governo aécio no blog do nassif
o luis nassif publicou em seu blog a seguinte mensagem, enviada pelo leitor sérgio ferreira:
Nassif
não sou favorável ao Aécio, muito ao contrário
vou ser repetitivo,mas como residente em Minas Gerais, sugiro uma discussão aprofundada sobre o que é a propalada capacidade administrativa de Aécio
o Serra está na mira, o Aécio é poupado
agora mesmo o Estado está em dificuldades em honrar a folha de pagamento, o tal choque de gestão é fictício
informe-se sobre o processo de reconhecimento da “escolaridade” para os “planos de carreira” dos funcionários
o centro administrativo, obra horrorosa e inútil, extrapolou em muito os custos previstos (havia a possibilidade e valorização do centro, onde há prédios disponíveis e essa é a tendência mundial)
a linha "verde" ampliou os engarrafamentos e privilegiou a ultrapassada visão pró-automóvel e não “induziu” nenhum desenvolvimento para a região do aeroporto
você tem sido um crítico do comportamento da imprensa: com certeza sabe do que acontece em minas
chamar o Aécio de conciliador é uma brincadeira
mas não quero ser um crítico pela crítica, gostaria de enxergar os aspetos positivos, mas que não se baseasse nas declarações oficiais
gostaria desse debate
recomendo que visitem o post original porque a discussão nos comentários está pegando fogo, com muita gente dando seus dois centavos sobre os podres do homem!
é por essas e outras que, se deus quiser e o azeredo deixar, eu ainda acredito que a força da internet será fundamental para impedir os planos do governador surfistinha em alçar vôos mais altos!
Terça-feira, Junho 02, 2009
Minas Gerais é a mais nova aquisição do Google
(reprodução do texto do Túlio Vianna, que explicou bem melhor do que eu seria capaz o caroço que eu tava vendo debaixo daquele angu)
O governo de Minas Gerais fechou uma parceria com o Google para doutrinar estudantes da rede pública do estado no uso de softwares proprietários.
O trato é simples: o Google entra com softwares que já estão disponíveis gratuitamente na Internet para qualquer interessado e o governo de Minas mantém os estudantes da rede pública longe de softwares livres, doutrinando nossos jovens desde cedo para o uso de softwares proprietários.
O que o Google ganha com a parceria: milhares de consumidores de seus serviços, com significativa ampliação de mercado.
O que Minas Gerais ganha com a parceria: NADA, pois os softwares já se encontram disponíveis gratuitamente na Internet.
O que Minas Gerais PERDE com a parceria:
1. Os softwares do Google são gratuitos, mas não são LIVRES. Se amanhã, eles resolverem “vender” o serviço (ou o software) nossos estudantes já terão se acostumado a usá-los e se sentirão pouco estimulados a migrar para uma plataforma livre;
2. Os softwares do Google, em tese, podem armazenar DADOS PESSOAIS dos usuários e remetê-los para a matriz nos EUA. Informações pessoais de milhares de estudantes (consumidores) mineiros serão enviadas todos os dias para o exterior para serem usadas como bem entender pela multinacional.
As vantagens do SOFTWARE LIVRE que a parceria do governo de Minas com o Google põe de lado:
1. Software livre será sempre gratuito, pois sua licença impede qualquer tipo de restrição à distribuição gratuita no futuro.
2. Software livre é aberto e permite aos programadores verificarem se ele faz tão-somente o que se propõe a fazer. Nada garante que um email apagado no Gmail seja de fato apagado no servidor. Ele pode ficar armazenado por lá para avaliar estatisticamente as preferências de consumo de seus usuários.
Só espero que a "parceria" não se estenda ao uso dos softwares do Google em órgãos da administração estadual, pois aí teríamos ainda um problema de segurança de estado, já que todas as informações eletrônicas do governo de Minas Gerais (desde emails enviados e recebidos até documentos escritos nos softwares do Google) estariam potencialmente acessíveis à empresa estadunidense.
Como já nos alertava Cynthia Semíramis em 2001, o uso de software livre não é uma mera questão de gratuidade, mas principalmente de segurança, pois somente com o código aberto, teremos a certeza de que o software faz tão-somente aquilo que se propõe a fazer.
E como já afirmei antes, o uso de software livre deve ser obrigatório pelos órgãos estatais, como corolário do princípio constitucional do livre desenvolvimento tecnológico.
Segunda-feira, Junho 01, 2009
[publicado tb no meu blog pessoal]
hoje é um dia cheio.
agora está rolando uma palestra com vint cerf (vice-presidente mundial do google e considerado "pai da internet"), com o tema "o futuro da internet". infelizmente, não pude ir, mas tô tentando acompanhar o streaming e parece estar bem interessante.
também hoje, às 19h30, acontece o ato público em bh contra o ai5 digital. o link leva pro post aí embaixo no meu outro blog, com maiores detalhes, mas vale repetir aqui o banner:

daí que ontem eu descobri um outro evento bem no meio desses dois, curiosamente ligado aos dois de alguma forma.
às 15h da tarde, nosso governador surfistinha vai promover um encontro com o vint cerf e uma série de blogueiros convidados. cerca de 50 blogueiros. sei que o interney (considerado ícone dos blogueiros) e o juliano spyer vão, mas não sei o resto, nem quantos desses convidados são mineiros.
pelo que entendi, o propósito é a assinatura de um protocolo de intenções entre o governo de minas e o google para uso da tecnologia da empresa nas escolas estaduais e a promoção da inclusão digital.
idéia ótima, se funcionar baterei palmas, mas – podem me chamar de paranóica – não engulo isso não!
o juliano spyer escreveu:
"O que na verdade está acontecendo - e não vejo nenhum problema nisso, ao contrário - é uma demonstração pública de que o governador presta atenção na internet, sente que esse será um elemento importante para quem for disputar a presidência em 2010 e quer se familiarizar mais com o assunto conversando com quem vem realizando ações na área, tanto no âmbito acadêmico como empresarial."
concordo, e tb não veria nenhum problema nisso, não fosse o governador o maior praticante da censura e da intimidação da livre imprensa no estado nos últimos tempos e, ainda, companheiro de partido do eduardo azeredo, autor do fatídico projeto de lei que pretende censurar a internet e criminalizar boa parte de seus usuários!
está claro e cristalino para mim que muita coisa nessa história não faz sentido!
por vários motivos, não pude ir atrás de mais informações como eu gostaria e nem mesmo me dedicar a formular melhor minha desconfiança, mas tb não podia deixar isso passar em branco e fiz esse post às pressas.
parece que tb vai ter o streaming desse evento aqui. por favor, ouçam. mas ouçam com critério, questionem, pensem! e se alguém que lê isso estiver lá e tiver a chance, por favor, pergunte a opinião do aécio sobre o pl do azeredo.
e claro, às 19h30, bora todo mundo pro teatro da cidade!
A "Disneylândia" de Aécio Neves
(reproduzido do site da revista época)
Choque de gestão? Déficit zero? Esqueça. A nova marca do governador mineiro Aécio Neves é um palácio flutuante de Niemeyer num centro administrativo de R$ 1,2 bilhão. Conheça o projeto e faça um passeio virtual pela obra.
Ricardo Mendonça, de Belo Horizonte
Em dezembro, a um ano do fim de seu segundo mandato, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), deverá inaugurar a maior, mais cara e mais ousada edificação da história de Minas: um majestoso palácio governamental suspenso dentro de um complexo estatal que reunirá, em mais dois megaedifícios, as 18 secretarias de Estado e outros 33 órgãos da administração. Tudo projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, de 101 anos (confira ao final do texto no site da época um "passeio virtual" pela obra, em que é possível conhecer detalhes da construção).
Estimado originalmente em R$ 500 milhões pelo governador, as obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais já estão orçadas em R$ 1,2 bilhão. Daria para fazer quatro hospitais como o Instituto do Câncer de São Paulo (antigo Instituto da Mulher), considerado o maior dessa especialização na América Latina, com 474 leitos. E ainda sobrariam R$ 120 milhões. Além do preço, a Cidade Administrativa impressiona pelo tamanho, pela arquitetura e pela velocidade com que está sendo erguida. A área total do complexo é de 804 mil metros quadrados, o equivale a 97 campos de futebol como o do Maracanã. Quando estiver em pleno funcionamento, no fim de 2010, deverá abrigar 20 mil funcionários e receber, diariamente, cerca de 10 mil visitantes. Se fosse uma cidade real com essa população, seria maior que 82% dos municípios brasileiros.
Assim que tudo estiver pronto, no segundo semestre de 2010, os mineiros poderão pleitear uma citação no livro dos recordes para o palácio do governador. O prédio, segundo o escritório de Niemeyer, terá o maior vão livre em concreto suspenso da história da arquitetura: 147,5 metros de comprimento, o dobro do vão-livre do Masp, em São Paulo.
Apesar da crise, o canteiro de obras está a pleno vapor. Com 4.800 operários trabalhando simultaneamente, a construção atingiu seu pico de atividade em maio. Os engenehiros gostam de repetir que se trata da "maior edificação em andamento em toda a América Latina".
O governo mineiro diz que fará economia com o novo complexo. Hoje, segundo a secretaria de Planejamento, o Estado aluga 59 imóveis em Belo Horizonte para abrigar diversas repartições. Com instalações próprias, estima-se que deixará de pagar R$ 30 milhões por ano com aluguéis. Além disso, serviços poderão ser unificados, como motoboys, refeitórios, motoristas e seguranças.
Quem não está muito convencida da conveniência do projeto é a oposição. "Essa construção é uma prioridade governamental, mas não é uma prioridade da sociedade mineira", diz o deputado estadual Adelmo Leão, do PT. "O palácio de R$ 1,2 bilhão é bom para fazer marketing, só que o governo ainda tem muitos problemas: Minas não cumpre com o piso nacional dos professores, não faz concursos e permanece como um dos únicos Estados que não cumprem com o investimento mínimo obrigatório de 12% das receitas na saúde", afirma.
Leia a íntegra desta reportagem na edição impressa de ÉPOCA (para assinantes).
Segunda-feira, Maio 11, 2009
sinal de vida
já faz quase um ano que não atualizo este blog, e infelizmente não posso prometer voltar a fazê-lo. isso não significa que mudei de idéia a respeito do governador, como alguns leitores insinuaram (acredito que por brincadeira). o fato é que, até pela absoluta falta de notícias na grande mídia, o processo de manter o blog exige pesquisa e dedicação, e eu realmente não tenho TEMPO para me comprometer com isso agora!
mas que fique claro que minhas opiniões sobre o dito cujo não mudaram em nada. se tivessem mudado, teria deletado o blog, certo? ele continua aqui, parado mas reafirmando uma convicção. e ainda me traz alegria de até hoje receber mensagens de pessoas que apóiam essa causa. como um comentário deixado em uma postagem bem mais antiga, que acho que vale a reprodução aqui para não ficar perdido lá no meio:
"Fiquei impressionado com esse blog, muito bem elaborado. Nunca encontrei na net tanta coisa reunida sobre o nosso governador mineiro. Isso é uma clara demonstração de que ele não pode calar a todos e vendar os olhos de todos mineiros com sua propaganda falsa e milhonária. Sou professor da rede estadual, e o que os órgãos de imprensa e a propaganda vem propalando por aí trata-se da mais pura mentira. Os professores correm hoje risco de vida em sala de aula, uma tensão constante. Fazer um curso superior para ganhar míseros 850 reais, sem reajuste algum.
GOstaria muito que no bolg constasse duas outras coisas feias do nosso tucaninho mineiro.
1. a Lei 100/2007 - Essa lei efetivou mais de 98 mil servidores sem concurso. Nas salas de aula temos engenheiros, arquitetos, médicos, enfermaeiros "efetivados" porque trbalharam no dia 6 de novembro daquele ano. Enquanto isso habiitados, que formaram para a docência, foram prejudicados.
2. Costumo dizer que Minas Gerais, mudou muito nos anos aecionianos, agora temos um Estado Policial. Digo isso porque, muitas vezes assisti a meras discussões na ruas e em locais públicos, e imediatamene chegam 3 ou quatro viaturas de onde descem pouco mais de 10 policiais, para resolver coisas tão pequenas. O mais interessante é que eles deveriam estar em outros lugares.
Parabéns pelo bolg. Vou imprimir algumas matérias para mostar para os colegas.
Mas está ai: minhas sugestões: a lei de efetivação sem concurso e o que chamo de "estado policial"
Aparecido Cardoso
apcmocmg@hotmail.com"
aparecido, agradeço demais sua mensagem! como eu disse, não tenho condições de ir a fundo nessas suas sugestões, mas deixo a dica para os leitores.
e aproveito a oportunidade para abrir esse espaço. se alguém quiser contribuir com mais informações, sobre esses ou outros temas, deixe um comentário! as postagens estão escassas mas o debate é sempre aberto!
Domingo, Julho 20, 2008
nota de luto
este blog interrompe sua interrupção para manifestar sua profunda tristeza pelo falecimento do dr. célio de castro, ex-prefeito de bh.
fique com deus, dr. beagá, e obrigada por tudo.
:-(
Segunda-feira, Junho 30, 2008
seguinte:
estou sem tempo e, confesso, sem o menor ânimo para comentar os últimos desdobramentos da dobradinha "pimentécio" para as próximas eleições municipais em bh. só digo que, mesmo não tendo carro, penso seriamente em mandar fazer um adesivo bem chamativo com os dizeres:
VOTO JÔ MORAES!
e tenho dito.
Domingo, Junho 08, 2008
"Existe algo de muito podre em nossa imprensa"
(por Vilmar Berna, escritor e jornalista do Portal do Meio Ambiente)
"Jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade." – George Orwell
Colegas, todos sabemos que um novo modelo de desenvolvimento e de consumo, mais sustentável e responsável e também mais justo depende fundamentalmente da sociedade saber escolher melhor seus governantes e adotar novos hábitos de consumo. Entretanto, só é possível escolher melhor se a população tiver acesso às informações democráticas e adequadas sobre o comportamento e a gestão dos seus governantes e sobre o real impacto dos produtos que consome.
Se a sociedade só tem acesso às informações positivas sobre seus governantes, e se as informações negativas lhe são negadas, então não pode ser responsabilizada pelas más escolhas que faz ao manter no poder governantes que não deveriam ter sido sequer eleitos.
Quando governantes compram a mídia para que só divulgue o que for positivo e oculte o que for negativo, quando as empresas sonegam informações sobre os reais impactos e sobre as externalidades do que produzem, fazem com que a sociedade prossiga escolhendo eleger os mesmos donos do poder e perseguindo um modelo de produção e consumo que acha o único bom e verdadeiro capaz de gerar progresso e atender às necessidades de todos.
Todos sabem das relações ocultas entre o poder e a imprensa (sempre com as raras exceções, para não sermos injustos), entretanto, também sabemos que é muito difícil comprovar essas relações e mais difícil ainda é conseguir dar divulgação adequada sobre os reais impactos do atual modelo de produção e consumo, numa mídia dependente do poder econômico dos governantes e das empresas para continuar existindo.
O impacto dessas relações ocultas na vida dos profissionais é sufocante, pois sem saber exatamente que tipo de conluio os donos do veículos, seus patrões, estabeleceram com os donos do poder e com os patrocinadores, colocam o emprego em risco todas as vezes em que ousam mostrar o lado negativo de algum poderoso.
Existe algo de muito podre em nossa imprensa eufemisticamente chamada de livre e, pior, parece que ninguém está dando muita bola para isso, no estilo de 'me engana que eu gosto'.
Cito dois exemplos que evidenciam essas relações ocultas. O primeiro é o episódio mostrado pela imprensa estrangeira no vídeo envolvendo o potencial futuro presidente da República Aécio Neves, a TV Globo e os jornais de Minas Gerais.
O segundo exemplo é revelado pela pesquisa do EPCOM (Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação) que ao cruzar os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com a lista de prefeitos, governadores, deputados e senadores de todo o país comprovou que os políticos de direita são os "donos da mídia" nacional.
No total, 271 políticos são sócios, proprietários ou diretores de emissoras de rádio e TV. Este número, porém, corresponde apenas aos políticos que possuem vínculo direto e oficial com os meios de comunicação – não estão contabilizadas as relações informais e indiretas (por meio de parentes e laranjas), que caracterizam boa parte das ligações entre os políticos e os meios de comunicação do país.
(Fonte: site Vi o Mundo)
Segunda-feira, Junho 02, 2008
Mais sobre Aécio e a mídia
Meu amigo Pirata reproduziu no site do Fausto Wolff o vídeo produzido pelo Daniel Florêncio para a Current TV, que eu postei aqui antes.
No seu texto, que pode ser lido na íntegra clicando-se aqui, o Pirata relembra que não são de hoje as relações mal-explicadas entre aecinho e a mídia... vejam:
"(...)
em 2.000, o presidente da câmara era aecinho.
$inhá mídia, qual hoje, só fechando no vermelho.
à época, todos os barões de $inhá mídia foram à Brasília, e, praticamente de joelhos, imploraram a aecinho a aprovação da lei de nr. 222.
tal lei permitiria a venda de até 30% das ações de seus veículos para grupos estrangeiros – o que daria aos baronato$ midiáticos um 'oxigênio' e tanto.
(* só para exemplificar, a revista veja, aprovada a lei, associou-se, primeiro, a um grupo midiático de oposição ferrenha a Hugo Chávez; pouco depois, ao atual parceiro, um grupo midiático da África do Sul, conhecido, também, por suas campanhas PRÓ-apartheid.
tutti buona gente...
muito importante: o percentual permitido para a venda de ações - repetindo, de 30% - já foi ultrapassado, mas o congresso até hoje finge entender a confusa matemática apresentada pela revista para explicar as negociações...)
voltando a 2.000.
nunca vira, desde então, aecinho trabalhando tanto, mobilizando tanto.
a lei, enfim, foi aprovada – em regime de "urgência urgentíssima".
é preciso, me diz, ser "gênio", ou, sei lá, "espírito de porco", pra ter a certeza de que ninguém se prestaria a um esquema desse se não tivesse algum equivalente interesse?
(...)"
Sexta-feira, Maio 30, 2008
Diretório Nacional do PT recomenda a BH que volte a discutir aliança
O Diretório Nacional do PT aprovou por ampla maioria nesta sexta-feira (30), em Brasília, resolução recomendando ao Diretório Municipal de Belo Horizonte (MG) que volte a discutir e deliberar sobre a política de alianças no município, de maneira que seja afastada a possibilidade de coligação com PSDB e PPS – nos marcos do que já havia sido decidido pelo próprio DN e pela Executiva Nacional do partido.
A resolução delega "poderes legais e estatutários" à Executiva Nacional para que também volte a discutir e deliberar, caso necessário.
Leia a íntegra:
Resolução do Diretório Nacional do PT sobre alianças em Belo Horizonte
Considerando o conteúdo político das resoluções sobre política de alianças nas eleições de 2008, aprovadas pelo Diretório Nacional do PT em suas reuniões de 9 de fevereiro de 2008 e 24 de março de 2008;
Considerando as resoluções aprovadas pela Comissão Executiva Nacional do PT nas reuniões realizadas em 24 de abril de 2008, 28 de abril de 2008 e 26 de maio de 2008, acerca das solicitações de alianças com partidos de fora da base de apoio do governo federal;
Considerando a retirada do recurso interposto à decisão da CEN que diz respeito à aliança com o PSDB em Belo Horizonte;
O Diretório Nacional do PT resolve:
1. Recomendar que O Diretório Municipal do PT de Belo Horizonte volte a discutir e deliberar sobre a política de alianças aprovada, afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS.
2. Delegar expressamente à CEN, com os poderes legais e estatutários cabíveis, voltar a discutir e deliberar sobre as alianças em Belo Horizonte, caso necessário, dentro das diretrizes firmadas nas resoluções do Diretório Nacional de 9 de fevereiro de 2008 e 24 de março de 2008.
Diretório Nacional do PT
30 de maio de 2008
fonte: http://www.pt.org.br
Quarta-feira, Maio 28, 2008
Documentário sobre a censura em Minas produzido no Reino Unido
O filme fala sobre as relações entre Aécio Neves, a TV Globo e o Estado de Minas. Foi produzido para a Current TV pelo brasileiro Daniel Florêncio, e exibido nos EUA e Inglaterra. Assista e divulgue!
"O prefeito excedeu-se na liderança", diz Patrus Ananias
(Sidney Martins, jornal Hoje em Dia)
Para o PT encontrar uma saída digna para o imbróglio que se criou em BH, o prefeito Fernando Pimentel deverá tomar a iniciativa de rever o processo que possibilitou a formalização da aliança do PT com o PSDB. A opinião é do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. "A correção cabe ao prefeito, porque ele tem a maioria do partido em BH. Mas o PT é um partido nacional e, é claro também que a direção municipal deve estar subordinada a decisão maior do partido. Então, para encontrarmos uma saída digna, decente, nós temos de movimentar um pouco, reavaliar, rever o processo em BH", disse Patrus, em entrevista exclusiva ao HOJE EM DIA.
O senhor foi consultado pelo prefeito Fernando Pimentel sobre se seria ou não candidato à Prefeitura de BH antes do anúncio da aliança?
Foi o contrário, eu comuniquei ao prefeito. Fui convidado pelo presidente Lula para continuar no ministério. Tive, então, de fazer uma opção. Não sou candidato porque não quero. Belo Horizonte é a minha cidade, pela qual tenho um carinho enorme. Inclusive estabelecemos aqui uma base que chegou até o prefeito Fernando Pimentel. A questão é de missão.
O senhor foi consultado por Pimentel sobre a perspectiva de aliança com o PSDB?
Quando comuniquei ao prefeito a minha decisão, sugeri a ele um nome, que ele sabe quem é - não vou voltar mais a esta questão, até por respeito a esta pessoa, mas isto não foi levado em consideração. Com relação ao nome que depois foi apresentado não tive nenhuma participação. Fiquei conhecendo hoje (na última segunda-feira), aqui (no Palácio da Liberdade), o senhor Marcio de Lacerda.
O senhor tem restrições a Lacerda?
Não tenho restrições pessoais a ninguém. As restrições que tenho são em relação à maneira como as coisas foram feitas, inclusive vinculando claramente o processo eleitoral de 2008 a 2010.
A ex-reitora (UFMG) Ana Lúcia Gazzola seria alternativa?
Claro que teríamos de trabalhar os termos fundamentais do conteúdo. Não poderia ser um outro nome imposto como foi o nome do pretenso, do candidato apresentado de cima para baixo. Eu sequer conheço o senhor Marcio Lacerda. A ex-reitora Ana Lúcia Gazzola – é claro que o nome também teria de ser discutido com os nossos interlocutores e dentro do partido – me parece mais plural. Era um nome que foi colocado para ser avaliado com a perspectiva de uma integração mais ampla. É uma pessoa que conheço e respeito. Mas o nome dela também foi desconsiderado como foram desconsiderados outros nomes que nós colocamos no processo.
Houve, então, um atropelamento?
Eu reconheci a liderança do prefeito para conduzir o processo sucessório, mas, talvez, tenha cometido um erro de avaliação. Acreditei efetivamente que o prefeito agisse com racionalidade política, razoabilidade, sensibilidade, bom senso e, sobretudo, espírito partidário. Esperava a condução do processo num contexto de ouvir as lideranças e as bases partidárias, sobretudo as bases autênticas e históricas e não filiados massivos de última hora. O ministro Luiz Dulci também não foi ouvido; interlocutores como o vice-presidente da República, José Alencar, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e outras lideranças da base (de Lula) também não foram ouvidos.
A reação a este processo veio a público, mas não teria sido um pouco tardia?
O próprio prefeito, em determinado momento, reconheceu equívocos na condução do processo. Só que ele reconheceu mas, infelizmente, não tomou nenhuma medida concreta para corrigir esses equívocos e dar ao processo um caráter mais amplo, mais plural, mais democrático e, sobretudo, um caráter mais específico voltado para a questão de Belo Horizonte.
Em que medida o processo em BH foi equivocado?
O prefeito excedeu-se, digamos assim, na sua liderança. Esqueceu-se de compartilhar com outras lideranças históricas do PT e de interlocutores nossos a discussão de uma aliança delicada envolvendo o PSDB, que é um partido que faz oposição ao Governo federal.
A aliança foi aprovada pelos diretórios municipal e estadual; a executiva nacional, por duas vezes, já vetou. Resta o Diretório Nacional. Um outro veto não ficaria "estranho" à vontade que predomina no Estado?
O PT é um partido nacional. Neste sentido, respeitando as especificidades locais e regionais, o PT não pode abrir mão de ser um partido nacional.
O que o senhor defende? É possível uma aliança com o PSDB?
Defendo que as minorias do PT sejam respeitadas. Há, hoje, uma maioria do PT em BH vinculada ao prefeito. Eu questiono esta maioria. Eu acho que é uma maioria que foi construída fora das melhores tradições do nosso partido, que sempre procurou filiar pessoas de forma consciente. Eu considero que é uma maioria artificial. Mas tudo bem, nós não tomamos nenhuma medida contra isso, prevalece. Há hoje, uma maioria concreta, dentro do diretório municipal, do prefeito. Esta maioria não se traduz no plano estadual. Como nós vimos, foi um encontro equilibrado, tecnicamente empatado. E, ao que tudo indica, não prevalece também na direção nacional.
O que o senhor vislumbra, então?
Aqui em Belo Horizonte, o prefeito tem a hegemonia. Mas o PT sempre aprendeu que as minorias não podem ser esmagadas, desrespeitadas nos seus legítimos direitos de militância. Então, o que nós esperamos é um gesto de grandeza do prefeito Fernando Pimentel no sentido de garantir, em primeiro lugar, a unidade do PT em BH. Esta é a responsabilidade dele, porque ele tem a maioria, e foi ele que construiu este processo de uma candidatura fora do PT. E esperamos também que, a partir da unidade do PT, possamos retomar a discussão na perspectiva da unidade da esquerda, das forças progressistas e do campo democrático-popular.
O senhor está passando a bola para o prefeito?
Na prática, a bola, no plano municipal, está com o prefeito Fernando Pimentel. Cabe a ele um gesto de inclusão de pessoas que foram excluídas. Dentre elas eu me incluo.
E quanto à chapa Marcio Lacerda-Roberto Carvalho? Seria mantida?
Meu raciocínio é claro. Entendo, junto com outros companheiros e companheiras, que o processo em Belo Horizonte foi equivocado e o que é equivocado deve ser corrigido.
Terça-feira, Maio 27, 2008
Executiva do PT mantém veto à aliança com tucanos em BH
A Executiva Nacional do PT manteve o veto à aliança com tucanos em Belo Horizonte. Por 13 a 2, a executiva manteve a decisão de proibir que o partido se coligue com o PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. A aliança havia sido costurada pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).
Pela aliança costurada entre Pimentel e Aécio, os dois partidos apoiaram a candidatura a prefeito do empresário Márcio Lacerda (PSB), secretário estadual de Minas. Como parte do acordo, o PT indicaria a vice da chapa.
A aliança com os tucanos havia sido aprovada pelas Executivas Municipal e Estadual do PT em Minas. Com a decisão desta segunda-feira, a palavra final sobre a aliança deverá ser do Diretório Nacional do PT, que se reúne nesta sexta-feira e sábado, em Brasília.
Os dois votos favoráveis à aliança da Executiva foram de Romênio Pereira, secretário de assuntos institucionais do PT, e de Jorge Coelho, um dos três vice-presidentes da legenda. A justificativa da Executiva para vetar a coligação é que uma eventual aliança entre PT e PSDB poderia interferir na campanha presidencial de 2010 – na qual Aécio é apontado como eventual candidato contra um nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos últimos dias, Pimentel e Aécio intensificaram as ações para assegurar a chapa. Mas há um acordo no PT para que a decisão não saia nesta segunda-feira. Pimentel esteve de Brasília, de onde saiu com promessas de apoio na reunião do dia 30 e sinais de que a divisão interna no PT nacional pode aumentar.
(fonte: Portal Uai)
Sábado, Maio 24, 2008
Militância promove manifesto contra a aliança PT-PSDB em BH

"Os militantes petistas, abaixo assinados, manifestam seu repúdio à aliança do PT com o PSDB, usando o PSB como laranja, em Belo Horizonte. Temos a preocupação com o quadro político de divisão das forças que sustentam uma administração popular e com os desdobramentos políticos de acordos feitos em torno de projetos pessoais de lideranças, em detrimento .de compromissos programáticos.
Nossa posição se fundamenta no fiel cumprimento das Resoluções aprovadas no III Congresso Nacional do PT; nas Resoluções 02 e 04/08, do Diretório Estadual, que condena o Governo Aécio Neves e prioriza alianças com partidos aliados do Governo Lula. Neste sentido, apoiamos a manutenção do veto da Executiva Nacional à tal aliança política, que visa somente ao fortalecimento da candidatura do Governador Aécio Neves à Presidência da República.
Condenamos não só a aliança em si, como também os métodos utilizados pelo Prefeito Pimentel para definir o candidato do PSB, desrespeitando os partidos políticos e suas instâncias de decisão. Estes métodos não são diferentes do coronelismo, principal pilar da política conservadora e das oligarquias.A possível aliança PT-PSDB, em Belo Horizonte, é um verdadeiro ato de entreguismo. As políticas públicas implantadas conquistadas a duras penas sempre tiveram o PSDB como principal oposição. Além disso, a aliança sinaliza como uma iniciativa de acordo político a ser praticado no Estado e no país, com o abandono das políticas públicas implantadas pelo Governo Lula e pelos 16 anos de administração democrática e popular.
Não acreditamos que o Governador Aécio Neves tenha compromissos com o combate à desigualdade social, com a interlocução com os movimentos sociais, com a garantia dos direitos dos trabalhadores, com o combate à corrupção, com a democratização dos meios de comunicação e com o avanço das conquistas populares.
Defendemos uma candidatura própria do PT a Presidente da República para dar continuidade às grandes mudanças implantadas pelo Governo Lula. Temos muitos companheiros que podem assumir esta tarefa."
Mais informações em http://www.motim13.blogspot.com.
Para assinar, mande um e-mail para motim13@gmail.com.
PT e PSDB: diálogo eleitoral ou monólogo programático?
A ausência de projetos conseqüentes e coerentes na política brasileira faz com que velhas teses ressurjam como se saíssem do ventre revolucionário da pós-moderníssima inteligência da esquerda. "A aliança entre PT e PSDB, fora dos marcos da radicalidade paulista, é a alternativa à governabilidade de um projeto de desenvolvimento soberano", apontam alguns petistas ante a angustiante disputa política que Brasília vivencia.
Por Jô Moraes, deputada federal e presidente estadual do PCdoB/MG, no portal Vermelho.
A tal união dos contrários na esfera político-partidária, como solução aos dolorosos conflitos que um país vive para encontrar o seu caminho de desenvolvimento e paz não é novidade. (A não ser em períodos pós-ditatoriais ou naqueles velhos tempos de UDN versus PSD de saudosa memória de coerência e convicções).
Quem já não leu artigos, teses, propostas que procuravam aproximar os social-democratas petistas aos social-democratas tucanos, nos inumeráveis e profícuos congressos partidários ou estudos acadêmicos?
A novidade é que agora é Minas Gerais, um estado de tradição nacionalista, a ousadia agora é mineira, a coragem "transgressora" é mineira! O governador do PSDB, juntamente com o prefeito do PT, estão propondo um nome, ungido pelos dois, para continuar o projeto popular encabeçado pelo PT e outras forças populares e democráticas, ao qual o PSDB fez oposição durante 15 anos! Não subestimem a inteligência do governador de Minas, o amigo que foi indicado para ser ungido prefeito foi orientado a filiar-se no PSB, partido da base de sustentação do Presidente Lula.
(Os eleitores que nos perdoem se não entendem, mas a confusão é universal!). O argumento central que o prefeito e o governador apresentam é que "o bom entendimento entre dois administradores públicos — prefeito e governador — assegurou os avanços que a capital mineira conseguiu nos últimos anos". E quem estiver contra esse entendimento está contra a cidade.
Alguém pode explicar por que Belo Horizonte não teve esses investimentos, mesmo quando o prefeito da capital era do mesmo partido do presidente da República — diga-se PSDB? Um era brigado com o outro, por acaso?
É evidente que "bom entendimento entre instâncias administrativas" já está garantido na constituição e qualquer coisa em contrário é neurônio a menos. O problema central é que não há investimentos nem crescimento nos municípios se não houver um projeto nacional que tenha como objetivo central o desenvolvimento soberano com distribuição de renda. E esta não é a proposta do PSDB. O PSDB, independente da vontade de alguns políticos a ele filiados, representa o ideário do sistema financeiro e do grande capital, especialmente do que se situa em São Paulo.
O Brasil e Minas precisam de investimentos produtivos, de produção com valor agregado e de valorização do trabalho. Sob hegemonia do sistema financeiro e do grande capital, especialmente o que se concentrou em São Paulo, Minas não terá vez, assim como o resto do Brasil.
O "monólogo programático" do PT X PSDB exclui o país, a democracia, os que produzem e os que trabalham. E lembremos aqui o aprendizado que a experiência socialista indica: "as máquinas administrativas não devem substituir as forças políticas e sociais na dinâmica política". Leia-se: o prefeito e o governador, por mais legítimas que sejam suas lideranças, não podem substituir os partidos e as forças sociais nos processos democráticos das escolhas políticas e representativas.
Quinta-feira, Maio 22, 2008
Aécio, Pimentel e a voz do povo
Cordel mineiro - De como Aecím completa os trabaios de FHC
(fonte: em cima da notícia)
1. Belzonte, quem diria,
Que ocê viria um dia
Se transformá de capitá
Num bitelo arraiá
2. Nos araiá os homes mandam
De dotô a coroné
Com’é triste a sina lá
Nóis dicá sabe cumé.
3. Um coroné se ajunta
C’um coroné maió.
Aí, uai, a gente sabe
Que nóis levemo a pió.
1. LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN
Faz um triango do bem
Triango é coisa de Deus
Pai, fio e o espírito amém.
2. Do triango das Bermudas
Todo mundo qué saí
Do triango amoroso
O gostin é bão sinti.
3. O triango tambeim serve
Pros dinhero se lavá...
Mas triango na política
Tem trem pra se ocurtá.
4. Qui tão ocurtano os treis
O Aéço, o Márcio e o Pimenté?
Dum trem nóis tem certeza:
Num é coisa de muié.
5. Antão será coisa de dinhero?
Isso num dá pra pensá
Os moço são honesto
Num tem alma pra negociá.
6. O certo antão sô moço
Que cada quar tem seu prano
E oceis da capitá
Vão purgá por quatro ano.
7. E nóis do resto de Minas
E dos otro estados forero
Vamo vê o Pimenté
Guvernadô dos minero.
8. De quebra vai o Aecim,
Todo bunito e facero,
Presidente da república
Vendê o Brasi prusistrangero
---
Leia também: Congresso da Juventude Petista de Minas Gerais repudia aliança com PSDB em BH
Apesar de não estar escrevendo muito, por motivos vários, acho que já deixei claro aqui no blog que eu também repudio essa aliança, que acho absurda, descabida e oportunista. É uma grande decepção pra mim ver gente do PT apoiando isso, ou fingindo que não tem nada com isso pra não se comprometer. Essa aliança é o fim da picada!
Apesar de nunca ter filiado, sempre fui uma militante ativa. Mas foi exatamente por isso que nunca me filiei: porque eu detestaria ter que romper com um partido que ainda é o que mais se aproxima do que eu acredito por conta de uma definição de cúpula que eu não concordo. Por isso, não tenho o menor pudor em declarar que continuo Lulista, continuo acreditando na maioria das propostas petistas, continuo até achando que o Pimentel é um excelente prefeito. Isso me dói ainda mais, porque ele é um cara que não precisava disso tudo pra fazer seu sucessor. O que deixa claro que seu sucessor, e consequëntemente o futuro da cidade, é o que menos importa a esse senhor nessa história toda.
Eu nem conheço esse Lacerda. Poderia vir a votar nele se não fosse o apoio tucano. E não me importa se ele vier com propostas sensacionais, para mim, a candidatura já nasceu com um erro imperdoável, e de certas coisas eu não abro mão. Vou lamentar muito se tiver que anular meu voto este ano, mas não é uma hipótese que eu descarte. Tomara que não. Tomara que a Jô Moraes não faça uma besteira semelhante...
Sexta-feira, Março 28, 2008
Crônica de um Aécio anunciado
As elites mineiras há muito tem um sonho: eleger, novamente, um presidente da República. Lembram-se de Juscelino, da política do café com leite, lamentam Tancredo Neves, e... hoje, só falam de "Aécio".
Para concretizar esse sonho e devido à dianteira de Serra, tucanos mineiros e aliados, lançaram, às pressas, um comitê denominado "Núcleo Informal Estratégico Pró-Candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República".
O governo e seu núcleo sabem que a estratégia utilizada pela oposição de desqualificar o governo petista, buscando o impeachment do presidente Lula está ultrapassada. O povo derrotou Alckmin, a mídia e as elites conservadoras deste país. O segundo governo de Lula avança e estabiliza o crescimento da economia em mais de 5% ao ano, gerando emprego e renda e, principalmente, dividindo esses resultados positivos com as massas empobrecidas de nosso país.
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a partir de agora, presente nos bolsões demiséria dos grandes centros e o "Territórios da Cidadania" nos bolsões de miséria da área rural, consolidam o governo e o PT junto à imensa maioria do nosso povo, colocando-os, junto com os aliados, como favoritos a continuar governando o Brasil. Em outras palavras, Lula tem tudo para fazer o seu sucessor.
Portanto, o governador de Minas e seu núcleo estratégico sabem que tem uma pedra no meio do caminho, sendo melhor contorná-la, já que não conseguiram destruí-la. Querem convencer o PSDB nacionalmente que sua candidatura é a única possível de superar uma outra apoiada pelo presidente Lula. Por isso, declarou recentemente que não quer ser um candidato anti-Lula (como José Serra), mas, um presidente pós-Lula.
O aceno é claro para as elites brasileiras: o que interessa é barrar o projeto democrático e popular em curso e retomar no pós-Lula as idéias neoliberais do período FHC. No entanto, para que isto seja possível, o governador e sua tropa precisam de tempo e suprimentos. Precisam conquistar a maioria brasileira, em especial os mais pobres, cada vez mais próximos do governo Lula e do PT.
Aí é que entra Belo Horizonte. Aécio quer o PT de BH para exibi-lo como troféu. Na campanha eleitoral, buscaria confundir o eleitorado, como se ele, Dilma, Patrus, Jacques Wagner ou Ciro fossem a mesma coisa, o mesmo projeto. De preferência estando no PSDB, pois daria segurança às elites do seu propósito neoliberal e apontaria como maldoso e mentiroso o argumento dos aliados de José Serra de que seria uma aventura populista ou neo-esquerdista.
Se a escolha do PSDB for por Serra servirá qualquer outra sigla que lhe dê carona, pois está convencido de que em 2010 o cavalo passará arreado. De toda forma as elites não têm com o que se preocupar. Afinal, seus dois governos em Minas foram exemplares para o modelo liberal: choque de gestão contra o serviço público; movimentos sindical e popular reprimidos com truculência; oposição sufocada; mídia amordaçada; investimentos sociais mínimos, política tributária beneficiando as grandes empresas, estado mínimo, etc...
Um deputado partidário desta estratégia me revelou com entusiasmo a pretensão do "grupo": "realizar uma nova Inconfidência Mineira". Exageros à parte, este é o pensamento predominante entre as elites das Alterosas. O problema desta história — que só poderia se repetir como farsa — é que não existe Tiradentes, mas muitos Joaquins Silverios dos Reis.
Mesmo estando claro que há 16 anos o PT e seus aliados administram muito bem Belo Horizonte – com dezenas de programas sociais de resgate da cidadania e divisão de renda, entre eles a escola integrada, o orçamento participativo, os conselhos populares; com as finanças em dia; com capacidade de investimento; com intervenções em vilas e favelas e melhorias no saneamento –; mesmo com a prefeitura e o prefeito muito bem avaliados e o PT com quase 30% de preferência na cidade; mesmo com a possibilidade de reeditar a aliança junto ao PMDB e PCdoB, garantindo uma eleição vitoriosa; mesmo assim, esta inusitada aliança entre PT e PSDB, via PSB, aqui com papel de laranja, (aliás na última eleição municipal, PT e PSB foram adversários – Pimentel x João Leite) ameaça ser implementada na capital com repercussão em Minas Gerais e no país.
Aliados são esquecidos, a unidade petista posta de lado e vereadores e deputados, antigos adversários na capital, são, repentinamente, conclamados a aderirem a esse estranho projeto.
Algumas lideranças petistas surfam nesta onda e ganham páginas na mesma imprensa "aecista" que trabalhou pelo impeachment do presidente Lula e que continua a atacar o nosso governo e o PT. Os que discordam são perseguidos e a tese de não-aliança com o PSDB aparece como irrelevante, quando raramente citada, criando-se um clima ditatorial de pensamento único, já bem conhecido dos mineiros.
Alguns agem assim com uma análise equivocada de que PT e PSDB têm projetos semelhantes e que um dia governarão juntos o Brasil. Tese sem consistência programática, posto que em 2010, novamente, liderarão blocos adversários na condução do país. Outros, por puro pragmatismo, adesão ou sobrevivência política. De toda forma, seja como for, prestam um desserviço ao projeto democrático popular em curso no país e que precisa continuar a bem dos trabalhadores e despossuídos.
Entendo que contribuir com esta aliança em BH é dar ao PSDB mineiro o troféu de que precisa para se mostrar credenciado junto às elites brasileiras a retomar o caminho trágico do projeto neoliberal interrompido.
Mais que um alerta, fica um apelo aos petistas de Belo Horizonte, de Minas e do Brasil: não caiam na crônica de um Aécio anunciado.
(Rogério Corrêa - PT/MG)
Quarta-feira, Março 26, 2008
Pimentel, aliança com o PSDB e fins injustificados
O debate suscitado pelo firme propósito do prefeito de BH, Fernando Pimentel, de comprometer o PT da cidade numa aliança político-eleitoral com o PSDB tem passado ao largo de questões fundamentais.
A principal e mais incômoda questão aponta para as razões da aliança. Será que elas dizem respeito aos interesses estratégicos do PT, seja em BH, seja em Minas Gerais, seja no Brasil? Ou, diferentemente, dizem respeito aos interesses do líder Pimentel, que encontra aí oportunidade de alavancar vôos mais altos no panorama político nacional, utilizando-se, para tanto, de uma associação oportunística com o governador tucano (e pré-candidato a presidente) Aécio Neves?
Como vem sendo apresentada à opinião pública e às instâncias internas do partido, a idéia de aliança com o adversário histórico só pode ser parte de uma equação que tem como resultado cacifar o prefeito Pimentel para outros vôos. Ele faz isso em detrimento do projeto partidário, dos procedimentos internos de tomada de decisão e, mais grave, com enorme prejuízo para a imagem do partido perante suas bases, das mais orgânicas às mais difusas porém não menos leais do ponto de vista eleitoral.
Se fosse outra a razão da aliança, que não à do interesse pessoal do prefeito e seu grupo, cabe levar à ultima conseqüência o seguinte debate: qual o ganho, para o partido, em abrir mão de uma candidatura própria com amplas possibilidades de vitória? Qual será o ganho para a cidade se se concretizar a hipótese de vitória dessa aliança inusitada?
Em entrevistas e conversas, Pimentel tem dito que pesquisas apontam que a população vê com bons olhos a "harmonia" entre as forças políticas. Interessante seria se a população dissesse o contrário... Mas, a partir daí, o enredo é ensaiado com o governador, de quem emulou o discurso da vocação mineira para a conciliação e entendimento. Lança mão e incorpora, como se acreditasse de verdade, no velho e surrado discurso do avô de Aécio, com citações ufanistas à "mineiridade", essa alma mítica para a qual o fazer político é atividade nobre somente se guiada pela determinação de aplainar arestas e construir consensos.
Qualquer estudante de primeiro período do curso de sociologia sabe que o discurso da mineiridade é um engodo só. Foi construído na República Velha para justificar os acordos dentro da elite, acomodando seus interesses e, claro, deixando de fora os demais, quer dizer, o povo ou suas instâncias de representação. No caso de Pimentel, muito mais grave, deixa-se de fora o PT – que, com todos os defeitos, ainda é o único partido político brasileiro que preserva um mínimo de democracia interna e impõe limites à prática do caciquismo político – tão comuns, notadamente na outra ponta da presente aliança.
Quanto aos riscos para a cidade, considero eloqüente a ausência – nas conversas, entrevistas, na badalação midiática promovida pelo governador Aécio e o prefeito Pimentel – do tema "programa de governo para BH". Aí reside o ponto central do nosso argumento. A aliança é tão somente meio, não é fim em si mesmo, não visa a cidade, não visa o bem-estar da população. O silêncio sobre o que farão e como farão, se governarem juntos BH, é o ato falho que denuncia o despropósito político da jogada.
Arrisco-me a dizer BH corre sério risco é de perder os avanços que conquistou desde que o PT, com Patrus Ananias, conquistou o poder em 1993. Avanços para os quais o PSDB sem dúvida alguma, contribui, atuando como oposição diligente. Mas que seria incapaz de fazer por si próprio, seja por não considerar, em seus métodos, a participação popular na construção de soluções que hoje são consagradas, seja por não ter mecanismos internos de crítica e autocrítica – tampouco quadros locais preparados – para administrar uma cidade como BH.
Retirar o partido do processo de escolha do candidato. Usar do poder que lhe confere o Diário Oficial do Município para convencer a militância acerca de suas teses. É essa a obra, verdadeiro PAC do desvirtuamento político, que Pimentel quer nos legar, aos munícipes e aos militantes partidários, com a aliança PT-PSDB.
Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
Campanha pela redução da conta de luz em Minas
Na época da campanha de 2006 nós já havíamos falado aqui sobre o absurdo que é cobrado do cidadão mineiro pela energia elétrica, e como a propaganda do governador sobre a responsabilidade desse valor era mentirosa. Clique aqui para relembrar.
A situação não mudou, e o consumidor residencial de Minas continua pagando a energia mais cara do Brasil. Até agora.
No dia 29 de janeiro, a Aneel anunciou uma proposta de revisão tarifária para a Cemig, em que propõe a redução média da tarifa de energia elétrica em 9,72%. Essa proposta está submetida a consulta pública. Qualquer cidadão pode enviar sua manifestação por e-mail, fax ou correio, sugerindo alterações, que, por lei, serão obrigatoriamente analisadas pela Aneel até o dia 5 de março, quando ocorrerá em BH uma audiência pública sobre o tema. O novo índice definido por esta revisão entrará em vigor no dia 8 de abril.
Mas se a proposta já é reduzir, por que devemos nos manifestar?
Por vários motivos. O primeiro e mais óbvio é porque a redução pode ser maior que a proposta. Uma inspeção feita pelo Tribunal de Contas da União nas contas da última revisão tarifária, em 2003, mostrou que o aumento de 31,52% concedido nesta época deveria ter sido menor. Além disso, nos últimos anos, foram concedidos diversos outros aumentos: 14,78% em 2004; 18,48% em 2005; 5,16% em 2006 e 6,5% em 2007. Também no ano passado, a Cemig entrou com um recurso junto à Aneel solicitando um aumento de mais de 20%, alegando a necessidade de incrementar sua estrutura de licitações e contratos – necessidade que se mostra questionável quando tomamos conhecimento de que a empresa não tem adotado o Pregão, modalidade de licitação instituída pela Lei Federal nº 10.520/2002 e tida como mais econômica, rápida e transparente.
O deputado estadual Weliton Prado (PT) alega também que faltou transparência no cálculo do índice proposto atualmente: "a Aneel não especificou o cálculo nem na nota técnica nem em nenhuma das mais de quatrocentas páginas do processo de revisão". Weliton, junto com o deputado federal Elismar Prado (PT), está organizando uma campanha popular pela redução da tarifa de energia. Ambos estão colhendo assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue à Aneel na audiência do dia 05.
No site do deputado estadual, além das últimas notícias sobre o assunto, foram disponibilizados links para:
1) download do arquivo do abaixo-assinado em pdf;
2) uma lista de modelos de contribuições (elaborados pelas consultorias técnicas dos dois mandatos parlamentares) que podem ser enviadas pelos cidadãos para a Aneel, e
3) consulta à relação de contribuições já enviadas para a agência até agora.
Quer colaborar? Então anote aí:
Audiência pública sobre a revisão tarifária da Cemig
5 de março, quarta-feira, das 8hs às 12hs,
no auditório do Centro de Educação Tecnológica – CEFET
(Av. Amazonas, 5253, Nova Suíça, Belo Horizonte)
Envie sua manifestação
por e-mail: ap007_2008@aneel.gov.br
por fax: (61) 2192-8839
pelo correio: SGAN, Quadra 603, Módulo I, Térreo
Protocolo Geral da Aneel, CEP 70.830-030, Brasília/DF
--
Atenção: exatamente enquanto toda essa mobilização ocorre (coincidência?), no mundo encantado de Caras a Cemig lança sua nova campanha institucional, exibindo depoimentos de consumidores beneficiados pela chamada "tarifa social" – que isenta os consumidores de baixa renda do ICMS – e louvando "a melhor energia do Brasil". Fique esperto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, a redução das tarifas beneficia a todos os consumidores residenciais, isentos de impostos ou não.


