Recebi o e-mail abaixo do leitor Aluimar Resende:
"Prezada Clarice,
muito pertinentes as matérias publicadas em seu blog sobre o governador Aécio Neves. Pena que pouca gente se interessa por questionar o que o "novo" Collor de Mello está fazendo administrativa e economicamente com nosso estado. Dizem existir um gênio por trás dele, e eu acredito nisto, pois só com um gênio mesmo de lâmpada e tudo para conseguir remendar o rombo que este governo está fazendo nas finanças do estado em prol de sua candidatura a presidência, que é garantida seja pelo tucanato ou outro partido qualquer que o valha. As despesas com marketing e obras de vulto nacional não param, aliás, só no que tange ao marketing, pois as obras...
Sou um usuário diário da principal via que compõe a "LINHA VERDE", a Avenida Cristiano Machado, e o que todos podemos ver pelo menos nos últimos seis meses é uma tremenda enganação de vários postos de trabalho e todos com pouquíssimos trabalhadores e chance nenhuma de conclusão de nada, a não ser o trecho que compreende do centro, Av dos Andradas até a saída do túnel, e na chegada ao Aeroporto Tancredo "Neves", aonde provavelmente se anda de vidros abertos com visitantes. Engarrafamentos diários, desvios de faixas e mãos de trânsito provocando confusão e acidentes com motoristas e pedestres. Chego a brincar falando com amigos que têm sempre dois operários trabalhando: um tira uma pá de terra e joga para a esquerda e o outro tira esta mesma pá e devolve para a direita. É impressionante como o ritmo das obras caiu após a eleição. Qualquer usuário como eu que prestar um pouco a atenção, verá que existem trechos que o concreto já está ficando com um aspecto de velho antes da obra ser concluída e que muito provavelmente o que seria a solução para o trânsito da região norte da cidade, ao ficar pronta já estará completamente obsoleta e provavelmente não resolverá problema algum a não ser o da eleição presidencial...
Quero deixar claro que não considero de maneira alguma este conjunto de obras mais importante que as de qualquer outra cidade do estado, ou ainda pior que seja mais importante que um bom planejamento para resolver problemas seríssimos de saúde e educação. Quero apenas reforçar que a base do governo Aécio é fazer inauguração de obras e deixar o marketing cuidar do resto, pois até agora só ouvimos blá, blá, blá!!!
Um grande abraço
Aluimar Resende Francisco
PS: se houverem outros canais para relatar estes fatos por favor me indique pois estou indignado com a apologia falsa e surreal que se faz do governo de Minas.
A comparação que faço com o nosso ex-presidente não se refere à roubalheiras e conchavismo, ma somente à utilização do marketing como principal instrumento de governo."
Antes de mais nada, agradeço ao Aluimar não só a mensagem, mas a autorização para publicá-la aqui.
Respondi que é muito estimulante receber emails desse tipo, afinal, por razões óbvias, a gente SABE que existem coisas erradas acontecendo, mas o mundo da grande mídia é um mundo maravilhoso de fantasia, e essas pequenas coisas, esses pequenos relatos de cidadãos comuns é que reforçam a necessidade de se manter sempre um olhar crítico e atento, além de um pé (ou os dois) atrás quando lemos sobre as inúmeras e inquestionáveis virtudes do nosso governador inatacável.
Sugeri ao Aluimar que visitasse os links ao lado, podem ser úteis. Mas ao escrever pra ele tive a idéia de uma experiência que pode ser interessante! Sugeri que ele escrevesse seu relato, como cidadão comum, aos grandes jornais de Minas, afinal, todos os dias vemos reclamações desse tipo sobre a Prefeitura. Claro que se a carta fosse publicada seria uma enorme (e boa) surpresa, eu duvido que seja. Mas o que será que aconteceria se, diariamente, diversos cidadãos começassem a enviar seus relatos, suas histórias, denúncias e reclamações sobre o governo estadual? Até quando os jornais os ignorariam? Que estratégias usariam para inverter os sentidos?
Enquanto buscava os contatos dos jornais para envio de cartas dos leitores, acabei achando o tradicional Alô!Alô!, do finado DT, agora no tablóide Aqui. Curiosamente, a reclamação do dia (ontem) era sobre a linha verde. O cidadão reclama, reclama, reclama e no fim põe a culpa em quem? Na BHTrans! Na Prefeitura! Impressionante, ainda que não surpreendente.
Enfim, se alguém quiser se dispor a fazer o teste, copio abaixo os contatos dos jornais. Muitas vezes nos sentimos impotentes diante de problemas que parecem bem acima da nossa capacidade, mas se cada um fizer o pouco que está ao seu alcance, tudo fica mais fácil para todos. Se tudo que está ao seu alcance fazer é reclamar, reclame! Mas reclame pra muita gente... ;-)
Estado de Minas: opiniao.em@uai.com.br
Aqui: povo.aqui@uai.com.br
(se preferir ligar pro Alô!Alô!, o telefone é 31 3263-5372)
Hoje em Dia: opiniao@hojeemdia.com.br
O Tempo e o SuperNotícias são tão espertos que publicam as cartas de leitores nos seus sites mas não informam para onde os leitores devem enviá-las. Entrei em "fale conosco" e na falta de uma sessão "cartas dos leitores", anotei os seguintes e-mails, válidos para ambos os jornais:
Redação: luciacastro@otempo.com.br
Redação internet: emtempo@otempo.com.br
sexta-feira, outubro 19, 2007
Exercício de cidadania
domingo, setembro 23, 2007
Movimento dos Sem-Mídia
Que sociedade é essa em que alguns homens e mulheres perdem sempre, no que toca o embate de idéias sobre as grandes questões nacionais, sobre os rumos que o país deve tomar ou manter? É uma sociedade em que sempre perdi sem nem poder lutar. Uma sociedade em que a derrota já vige antes da peleja. Uma sociedade em que os poderosos barões da mídia debatem sem antagonista.
Em dado momento, refletindo sobre o esmagamento das divergências, sobre a fabricação dos consensos midiáticos no que tange a política, a economia, os costumes, o entretenimento, veio-me à mente uma imagem, a imagem de brasileiros e brasileiras que, cansados de vegetar à beira das estradas, cansados de não poderem exercer sua vocação ancestral para a agricultura por falta de terra, resolveram não mais se conformar com a condição de sem-terra num país em que ela há em profusão e não pode ser semeada porque constitui reserva de valor de latifundiários. Estes cidadãos não têm terra, e cidadãos como eu, cheios de idéias e opiniões legítimas, não temos espaço, nos latifúndios midiáticos, para semearmos nossos pontos de vista. Somos, pois, sem-mídia.
Esse é um trecho do artigo escrito pelo Eduardo Guimarães sobre como nasceu o Movimento dos Sem-Mídia - MSM, idealizado por ele, que começou a se concretizar no último dia 15 de setembro, quando mais de 100 pessoas se concentraram na porta do jornal Folha de São Paulo, onde entregaram (e protocolaram) uma cópia do Manifesto do Movimento.
Veja a seguir a reportagem do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, sobre a manifestação:
Apesar da óbvia falta de divulgação pelos grandes meios de comunicação, a iniciativa recebeu tantas mensagens de apoio que acabou sendo o pontapé inicial para a legalização do Movimento. Estão sendo cadastrados e-mails de simpatizantes e organizada uma assembléia, para se definir um estatuto e as melhores estratégias de ação. Enfim, a história completa, detalhada e atualizada é grande, e você pode ler lá no blog do Eduardo. (Sugiro voltar nos arquivos até as vésperas do dia 15, quando houve a manifestação.)
Ao contrário de que possa parecer a muitos - principalmente se/quando os "com-mídia" resolverem se manifestar sobre o MSM - o Movimento luta "por um jornalismo limpo, plural, fidedigno, apartidário e desideologizado." O grifo é meu.
Eu, Clarice, tenho minha posição política e minha ideologia, e elas são muito claras nestes meus dois blogs, o Votolula e o Fora, Aécio!. Por elas, eu luto neles. Mas não são elas as principais razões para eu assinar e divulgar esse Movimento. Eu, como cidadã, acredito que o acesso a informações isentas e completas é fundamental para o fortalecimento da democracia em sua essência, ou seja, da soberania do POVO, e não de poucos que se apropriam de sua voz.
E você?
