quarta-feira, maio 28, 2008

Documentário sobre a censura em Minas produzido no Reino Unido



O filme fala sobre as relações entre Aécio Neves, a TV Globo e o Estado de Minas. Foi produzido para a Current TV pelo brasileiro Daniel Florêncio, e exibido nos EUA e Inglaterra. Assista e divulgue!

"O prefeito excedeu-se na liderança", diz Patrus Ananias

(Sidney Martins, jornal Hoje em Dia)

Para o PT encontrar uma saída digna para o imbróglio que se criou em BH, o prefeito Fernando Pimentel deverá tomar a iniciativa de rever o processo que possibilitou a formalização da aliança do PT com o PSDB. A opinião é do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. "A correção cabe ao prefeito, porque ele tem a maioria do partido em BH. Mas o PT é um partido nacional e, é claro também que a direção municipal deve estar subordinada a decisão maior do partido. Então, para encontrarmos uma saída digna, decente, nós temos de movimentar um pouco, reavaliar, rever o processo em BH", disse Patrus, em entrevista exclusiva ao HOJE EM DIA.

O senhor foi consultado pelo prefeito Fernando Pimentel sobre se seria ou não candidato à Prefeitura de BH antes do anúncio da aliança?
Foi o contrário, eu comuniquei ao prefeito. Fui convidado pelo presidente Lula para continuar no ministério. Tive, então, de fazer uma opção. Não sou candidato porque não quero. Belo Horizonte é a minha cidade, pela qual tenho um carinho enorme. Inclusive estabelecemos aqui uma base que chegou até o prefeito Fernando Pimentel. A questão é de missão.

O senhor foi consultado por Pimentel sobre a perspectiva de aliança com o PSDB?
Quando comuniquei ao prefeito a minha decisão, sugeri a ele um nome, que ele sabe quem é - não vou voltar mais a esta questão, até por respeito a esta pessoa, mas isto não foi levado em consideração. Com relação ao nome que depois foi apresentado não tive nenhuma participação. Fiquei conhecendo hoje (na última segunda-feira), aqui (no Palácio da Liberdade), o senhor Marcio de Lacerda.

O senhor tem restrições a Lacerda?
Não tenho restrições pessoais a ninguém. As restrições que tenho são em relação à maneira como as coisas foram feitas, inclusive vinculando claramente o processo eleitoral de 2008 a 2010.

A ex-reitora (UFMG) Ana Lúcia Gazzola seria alternativa?
Claro que teríamos de trabalhar os termos fundamentais do conteúdo. Não poderia ser um outro nome imposto como foi o nome do pretenso, do candidato apresentado de cima para baixo. Eu sequer conheço o senhor Marcio Lacerda. A ex-reitora Ana Lúcia Gazzola – é claro que o nome também teria de ser discutido com os nossos interlocutores e dentro do partido – me parece mais plural. Era um nome que foi colocado para ser avaliado com a perspectiva de uma integração mais ampla. É uma pessoa que conheço e respeito. Mas o nome dela também foi desconsiderado como foram desconsiderados outros nomes que nós colocamos no processo.

Houve, então, um atropelamento?
Eu reconheci a liderança do prefeito para conduzir o processo sucessório, mas, talvez, tenha cometido um erro de avaliação. Acreditei efetivamente que o prefeito agisse com racionalidade política, razoabilidade, sensibilidade, bom senso e, sobretudo, espírito partidário. Esperava a condução do processo num contexto de ouvir as lideranças e as bases partidárias, sobretudo as bases autênticas e históricas e não filiados massivos de última hora. O ministro Luiz Dulci também não foi ouvido; interlocutores como o vice-presidente da República, José Alencar, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e outras lideranças da base (de Lula) também não foram ouvidos.

A reação a este processo veio a público, mas não teria sido um pouco tardia?
O próprio prefeito, em determinado momento, reconheceu equívocos na condução do processo. Só que ele reconheceu mas, infelizmente, não tomou nenhuma medida concreta para corrigir esses equívocos e dar ao processo um caráter mais amplo, mais plural, mais democrático e, sobretudo, um caráter mais específico voltado para a questão de Belo Horizonte.

Em que medida o processo em BH foi equivocado?
O prefeito excedeu-se, digamos assim, na sua liderança. Esqueceu-se de compartilhar com outras lideranças históricas do PT e de interlocutores nossos a discussão de uma aliança delicada envolvendo o PSDB, que é um partido que faz oposição ao Governo federal.

A aliança foi aprovada pelos diretórios municipal e estadual; a executiva nacional, por duas vezes, já vetou. Resta o Diretório Nacional. Um outro veto não ficaria "estranho" à vontade que predomina no Estado?
O PT é um partido nacional. Neste sentido, respeitando as especificidades locais e regionais, o PT não pode abrir mão de ser um partido nacional.

O que o senhor defende? É possível uma aliança com o PSDB?
Defendo que as minorias do PT sejam respeitadas. Há, hoje, uma maioria do PT em BH vinculada ao prefeito. Eu questiono esta maioria. Eu acho que é uma maioria que foi construída fora das melhores tradições do nosso partido, que sempre procurou filiar pessoas de forma consciente. Eu considero que é uma maioria artificial. Mas tudo bem, nós não tomamos nenhuma medida contra isso, prevalece. Há hoje, uma maioria concreta, dentro do diretório municipal, do prefeito. Esta maioria não se traduz no plano estadual. Como nós vimos, foi um encontro equilibrado, tecnicamente empatado. E, ao que tudo indica, não prevalece também na direção nacional.

O que o senhor vislumbra, então?
Aqui em Belo Horizonte, o prefeito tem a hegemonia. Mas o PT sempre aprendeu que as minorias não podem ser esmagadas, desrespeitadas nos seus legítimos direitos de militância. Então, o que nós esperamos é um gesto de grandeza do prefeito Fernando Pimentel no sentido de garantir, em primeiro lugar, a unidade do PT em BH. Esta é a responsabilidade dele, porque ele tem a maioria, e foi ele que construiu este processo de uma candidatura fora do PT. E esperamos também que, a partir da unidade do PT, possamos retomar a discussão na perspectiva da unidade da esquerda, das forças progressistas e do campo democrático-popular.

O senhor está passando a bola para o prefeito?
Na prática, a bola, no plano municipal, está com o prefeito Fernando Pimentel. Cabe a ele um gesto de inclusão de pessoas que foram excluídas. Dentre elas eu me incluo.

E quanto à chapa Marcio Lacerda-Roberto Carvalho? Seria mantida?
Meu raciocínio é claro. Entendo, junto com outros companheiros e companheiras, que o processo em Belo Horizonte foi equivocado e o que é equivocado deve ser corrigido.

terça-feira, maio 27, 2008

Executiva do PT mantém veto à aliança com tucanos em BH

A Executiva Nacional do PT manteve o veto à aliança com tucanos em Belo Horizonte. Por 13 a 2, a executiva manteve a decisão de proibir que o partido se coligue com o PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. A aliança havia sido costurada pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).

Pela aliança costurada entre Pimentel e Aécio, os dois partidos apoiaram a candidatura a prefeito do empresário Márcio Lacerda (PSB), secretário estadual de Minas. Como parte do acordo, o PT indicaria a vice da chapa.

A aliança com os tucanos havia sido aprovada pelas Executivas Municipal e Estadual do PT em Minas. Com a decisão desta segunda-feira, a palavra final sobre a aliança deverá ser do Diretório Nacional do PT, que se reúne nesta sexta-feira e sábado, em Brasília.

Os dois votos favoráveis à aliança da Executiva foram de Romênio Pereira, secretário de assuntos institucionais do PT, e de Jorge Coelho, um dos três vice-presidentes da legenda. A justificativa da Executiva para vetar a coligação é que uma eventual aliança entre PT e PSDB poderia interferir na campanha presidencial de 2010 – na qual Aécio é apontado como eventual candidato contra um nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos últimos dias, Pimentel e Aécio intensificaram as ações para assegurar a chapa. Mas há um acordo no PT para que a decisão não saia nesta segunda-feira. Pimentel esteve de Brasília, de onde saiu com promessas de apoio na reunião do dia 30 e sinais de que a divisão interna no PT nacional pode aumentar.

(fonte: Portal Uai)

sábado, maio 24, 2008

Militância promove manifesto contra a aliança PT-PSDB em BH


"Os militantes petistas, abaixo assinados, manifestam seu repúdio à aliança do PT com o PSDB, usando o PSB como laranja, em Belo Horizonte. Temos a preocupação com o quadro político de divisão das forças que sustentam uma administração popular e com os desdobramentos políticos de acordos feitos em torno de projetos pessoais de lideranças, em detrimento .de compromissos programáticos.

Nossa posição se fundamenta no fiel cumprimento das Resoluções aprovadas no III Congresso Nacional do PT; nas Resoluções 02 e 04/08, do Diretório Estadual, que condena o Governo Aécio Neves e prioriza alianças com partidos aliados do Governo Lula. Neste sentido, apoiamos a manutenção do veto da Executiva Nacional à tal aliança política, que visa somente ao fortalecimento da candidatura do Governador Aécio Neves à Presidência da República.

Condenamos não só a aliança em si, como também os métodos utilizados pelo Prefeito Pimentel para definir o candidato do PSB, desrespeitando os partidos políticos e suas instâncias de decisão. Estes métodos não são diferentes do coronelismo, principal pilar da política conservadora e das oligarquias.A possível aliança PT-PSDB, em Belo Horizonte, é um verdadeiro ato de entreguismo. As políticas públicas implantadas conquistadas a duras penas sempre tiveram o PSDB como principal oposição. Além disso, a aliança sinaliza como uma iniciativa de acordo político a ser praticado no Estado e no país, com o abandono das políticas públicas implantadas pelo Governo Lula e pelos 16 anos de administração democrática e popular.

Não acreditamos que o Governador Aécio Neves tenha compromissos com o combate à desigualdade social, com a interlocução com os movimentos sociais, com a garantia dos direitos dos trabalhadores, com o combate à corrupção, com a democratização dos meios de comunicação e com o avanço das conquistas populares.

Defendemos uma candidatura própria do PT a Presidente da República para dar continuidade às grandes mudanças implantadas pelo Governo Lula. Temos muitos companheiros que podem assumir esta tarefa."

Mais informações em http://www.motim13.blogspot.com.
Para assinar, mande um e-mail para motim13@gmail.com.

PT e PSDB: diálogo eleitoral ou monólogo programático?

A ausência de projetos conseqüentes e coerentes na política brasileira faz com que velhas teses ressurjam como se saíssem do ventre revolucionário da pós-moderníssima inteligência da esquerda. "A aliança entre PT e PSDB, fora dos marcos da radicalidade paulista, é a alternativa à governabilidade de um projeto de desenvolvimento soberano", apontam alguns petistas ante a angustiante disputa política que Brasília vivencia.

Por Jô Moraes, deputada federal e presidente estadual do PCdoB/MG, no portal Vermelho.

A tal união dos contrários na esfera político-partidária, como solução aos dolorosos conflitos que um país vive para encontrar o seu caminho de desenvolvimento e paz não é novidade. (A não ser em períodos pós-ditatoriais ou naqueles velhos tempos de UDN versus PSD de saudosa memória de coerência e convicções).

Quem já não leu artigos, teses, propostas que procuravam aproximar os social-democratas petistas aos social-democratas tucanos, nos inumeráveis e profícuos congressos partidários ou estudos acadêmicos?

A novidade é que agora é Minas Gerais, um estado de tradição nacionalista, a ousadia agora é mineira, a coragem "transgressora" é mineira! O governador do PSDB, juntamente com o prefeito do PT, estão propondo um nome, ungido pelos dois, para continuar o projeto popular encabeçado pelo PT e outras forças populares e democráticas, ao qual o PSDB fez oposição durante 15 anos! Não subestimem a inteligência do governador de Minas, o amigo que foi indicado para ser ungido prefeito foi orientado a filiar-se no PSB, partido da base de sustentação do Presidente Lula.

(Os eleitores que nos perdoem se não entendem, mas a confusão é universal!). O argumento central que o prefeito e o governador apresentam é que "o bom entendimento entre dois administradores públicos — prefeito e governador — assegurou os avanços que a capital mineira conseguiu nos últimos anos". E quem estiver contra esse entendimento está contra a cidade.

Alguém pode explicar por que Belo Horizonte não teve esses investimentos, mesmo quando o prefeito da capital era do mesmo partido do presidente da República — diga-se PSDB? Um era brigado com o outro, por acaso?

É evidente que "bom entendimento entre instâncias administrativas" já está garantido na constituição e qualquer coisa em contrário é neurônio a menos. O problema central é que não há investimentos nem crescimento nos municípios se não houver um projeto nacional que tenha como objetivo central o desenvolvimento soberano com distribuição de renda. E esta não é a proposta do PSDB. O PSDB, independente da vontade de alguns políticos a ele filiados, representa o ideário do sistema financeiro e do grande capital, especialmente do que se situa em São Paulo.

O Brasil e Minas precisam de investimentos produtivos, de produção com valor agregado e de valorização do trabalho. Sob hegemonia do sistema financeiro e do grande capital, especialmente o que se concentrou em São Paulo, Minas não terá vez, assim como o resto do Brasil.

O "monólogo programático" do PT X PSDB exclui o país, a democracia, os que produzem e os que trabalham. E lembremos aqui o aprendizado que a experiência socialista indica: "as máquinas administrativas não devem substituir as forças políticas e sociais na dinâmica política". Leia-se: o prefeito e o governador, por mais legítimas que sejam suas lideranças, não podem substituir os partidos e as forças sociais nos processos democráticos das escolhas políticas e representativas.

quinta-feira, maio 22, 2008

Aécio, Pimentel e a voz do povo

Cordel mineiro - De como Aecím completa os trabaios de FHC
(fonte: em cima da notícia)

1. Belzonte, quem diria,
Que ocê viria um dia
Se transformá de capitá
Num bitelo arraiá

2. Nos araiá os homes mandam
De dotô a coroné
Com’é triste a sina lá
Nóis dicá sabe cumé.

3. Um coroné se ajunta
C’um coroné maió.
Aí, uai, a gente sabe
Que nóis levemo a pió.


1. LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN
Faz um triango do bem
Triango é coisa de Deus
Pai, fio e o espírito amém.

2. Do triango das Bermudas
Todo mundo qué saí
Do triango amoroso
O gostin é bão sinti.

3. O triango tambeim serve
Pros dinhero se lavá...
Mas triango na política
Tem trem pra se ocurtá.

4. Qui tão ocurtano os treis
O Aéço, o Márcio e o Pimenté?
Dum trem nóis tem certeza:
Num é coisa de muié.

5. Antão será coisa de dinhero?
Isso num dá pra pensá
Os moço são honesto
Num tem alma pra negociá.

6. O certo antão sô moço
Que cada quar tem seu prano
E oceis da capitá
Vão purgá por quatro ano.

7. E nóis do resto de Minas
E dos otro estados forero
Vamo vê o Pimenté
Guvernadô dos minero.

8. De quebra vai o Aecim,
Todo bunito e facero,
Presidente da república
Vendê o Brasi prusistrangero

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Leia também: Congresso da Juventude Petista de Minas Gerais repudia aliança com PSDB em BH

Apesar de não estar escrevendo muito, por motivos vários, acho que já deixei claro aqui no blog que eu também repudio essa aliança, que acho absurda, descabida e oportunista. É uma grande decepção pra mim ver gente do PT apoiando isso, ou fingindo que não tem nada com isso pra não se comprometer. Essa aliança é o fim da picada!

Apesar de nunca ter filiado, sempre fui uma militante ativa. Mas foi exatamente por isso que nunca me filiei: porque eu detestaria ter que romper com um partido que ainda é o que mais se aproxima do que eu acredito por conta de uma definição de cúpula que eu não concordo. Por isso, não tenho o menor pudor em declarar que continuo Lulista, continuo acreditando na maioria das propostas petistas, continuo até achando que o Pimentel é um excelente prefeito. Isso me dói ainda mais, porque ele é um cara que não precisava disso tudo pra fazer seu sucessor. O que deixa claro que seu sucessor, e consequëntemente o futuro da cidade, é o que menos importa a esse senhor nessa história toda.

Eu nem conheço esse Lacerda. Poderia vir a votar nele se não fosse o apoio tucano. E não me importa se ele vier com propostas sensacionais, para mim, a candidatura já nasceu com um erro imperdoável, e de certas coisas eu não abro mão. Vou lamentar muito se tiver que anular meu voto este ano, mas não é uma hipótese que eu descarte. Tomara que não. Tomara que a Jô Moraes não faça uma besteira semelhante...

sexta-feira, março 28, 2008

Crônica de um Aécio anunciado

As elites mineiras há muito tem um sonho: eleger, novamente, um presidente da República. Lembram-se de Juscelino, da política do café com leite, lamentam Tancredo Neves, e... hoje, só falam de "Aécio".

Para concretizar esse sonho e devido à dianteira de Serra, tucanos mineiros e aliados, lançaram, às pressas, um comitê denominado "Núcleo Informal Estratégico Pró-Candidatura do governador Aécio Neves à Presidência da República".

O governo e seu núcleo sabem que a estratégia utilizada pela oposição de desqualificar o governo petista, buscando o impeachment do presidente Lula está ultrapassada. O povo derrotou Alckmin, a mídia e as elites conservadoras deste país. O segundo governo de Lula avança e estabiliza o crescimento da economia em mais de 5% ao ano, gerando emprego e renda e, principalmente, dividindo esses resultados positivos com as massas empobrecidas de nosso país.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a partir de agora, presente nos bolsões demiséria dos grandes centros e o "Territórios da Cidadania" nos bolsões de miséria da área rural, consolidam o governo e o PT junto à imensa maioria do nosso povo, colocando-os, junto com os aliados, como favoritos a continuar governando o Brasil. Em outras palavras, Lula tem tudo para fazer o seu sucessor.

Portanto, o governador de Minas e seu núcleo estratégico sabem que tem uma pedra no meio do caminho, sendo melhor contorná-la, já que não conseguiram destruí-la. Querem convencer o PSDB nacionalmente que sua candidatura é a única possível de superar uma outra apoiada pelo presidente Lula. Por isso, declarou recentemente que não quer ser um candidato anti-Lula (como José Serra), mas, um presidente pós-Lula.

O aceno é claro para as elites brasileiras: o que interessa é barrar o projeto democrático e popular em curso e retomar no pós-Lula as idéias neoliberais do período FHC. No entanto, para que isto seja possível, o governador e sua tropa precisam de tempo e suprimentos. Precisam conquistar a maioria brasileira, em especial os mais pobres, cada vez mais próximos do governo Lula e do PT.

Aí é que entra Belo Horizonte. Aécio quer o PT de BH para exibi-lo como troféu. Na campanha eleitoral, buscaria confundir o eleitorado, como se ele, Dilma, Patrus, Jacques Wagner ou Ciro fossem a mesma coisa, o mesmo projeto. De preferência estando no PSDB, pois daria segurança às elites do seu propósito neoliberal e apontaria como maldoso e mentiroso o argumento dos aliados de José Serra de que seria uma aventura populista ou neo-esquerdista.

Se a escolha do PSDB for por Serra servirá qualquer outra sigla que lhe dê carona, pois está convencido de que em 2010 o cavalo passará arreado. De toda forma as elites não têm com o que se preocupar. Afinal, seus dois governos em Minas foram exemplares para o modelo liberal: choque de gestão contra o serviço público; movimentos sindical e popular reprimidos com truculência; oposição sufocada; mídia amordaçada; investimentos sociais mínimos, política tributária beneficiando as grandes empresas, estado mínimo, etc...

Um deputado partidário desta estratégia me revelou com entusiasmo a pretensão do "grupo": "realizar uma nova Inconfidência Mineira". Exageros à parte, este é o pensamento predominante entre as elites das Alterosas. O problema desta história — que só poderia se repetir como farsa — é que não existe Tiradentes, mas muitos Joaquins Silverios dos Reis.

Mesmo estando claro que há 16 anos o PT e seus aliados administram muito bem Belo Horizonte – com dezenas de programas sociais de resgate da cidadania e divisão de renda, entre eles a escola integrada, o orçamento participativo, os conselhos populares; com as finanças em dia; com capacidade de investimento; com intervenções em vilas e favelas e melhorias no saneamento –; mesmo com a prefeitura e o prefeito muito bem avaliados e o PT com quase 30% de preferência na cidade; mesmo com a possibilidade de reeditar a aliança junto ao PMDB e PCdoB, garantindo uma eleição vitoriosa; mesmo assim, esta inusitada aliança entre PT e PSDB, via PSB, aqui com papel de laranja, (aliás na última eleição municipal, PT e PSB foram adversários – Pimentel x João Leite) ameaça ser implementada na capital com repercussão em Minas Gerais e no país.

Aliados são esquecidos, a unidade petista posta de lado e vereadores e deputados, antigos adversários na capital, são, repentinamente, conclamados a aderirem a esse estranho projeto.

Algumas lideranças petistas surfam nesta onda e ganham páginas na mesma imprensa "aecista" que trabalhou pelo impeachment do presidente Lula e que continua a atacar o nosso governo e o PT. Os que discordam são perseguidos e a tese de não-aliança com o PSDB aparece como irrelevante, quando raramente citada, criando-se um clima ditatorial de pensamento único, já bem conhecido dos mineiros.

Alguns agem assim com uma análise equivocada de que PT e PSDB têm projetos semelhantes e que um dia governarão juntos o Brasil. Tese sem consistência programática, posto que em 2010, novamente, liderarão blocos adversários na condução do país. Outros, por puro pragmatismo, adesão ou sobrevivência política. De toda forma, seja como for, prestam um desserviço ao projeto democrático popular em curso no país e que precisa continuar a bem dos trabalhadores e despossuídos.

Entendo que contribuir com esta aliança em BH é dar ao PSDB mineiro o troféu de que precisa para se mostrar credenciado junto às elites brasileiras a retomar o caminho trágico do projeto neoliberal interrompido.

Mais que um alerta, fica um apelo aos petistas de Belo Horizonte, de Minas e do Brasil: não caiam na crônica de um Aécio anunciado.

(Rogério Corrêa - PT/MG)

quarta-feira, março 26, 2008

Pimentel, aliança com o PSDB e fins injustificados

O debate suscitado pelo firme propósito do prefeito de BH, Fernando Pimentel, de comprometer o PT da cidade numa aliança político-eleitoral com o PSDB tem passado ao largo de questões fundamentais.

A principal e mais incômoda questão aponta para as razões da aliança. Será que elas dizem respeito aos interesses estratégicos do PT, seja em BH, seja em Minas Gerais, seja no Brasil? Ou, diferentemente, dizem respeito aos interesses do líder Pimentel, que encontra aí oportunidade de alavancar vôos mais altos no panorama político nacional, utilizando-se, para tanto, de uma associação oportunística com o governador tucano (e pré-candidato a presidente) Aécio Neves?

Como vem sendo apresentada à opinião pública e às instâncias internas do partido, a idéia de aliança com o adversário histórico só pode ser parte de uma equação que tem como resultado cacifar o prefeito Pimentel para outros vôos. Ele faz isso em detrimento do projeto partidário, dos procedimentos internos de tomada de decisão e, mais grave, com enorme prejuízo para a imagem do partido perante suas bases, das mais orgânicas às mais difusas porém não menos leais do ponto de vista eleitoral.

Se fosse outra a razão da aliança, que não à do interesse pessoal do prefeito e seu grupo, cabe levar à ultima conseqüência o seguinte debate: qual o ganho, para o partido, em abrir mão de uma candidatura própria com amplas possibilidades de vitória? Qual será o ganho para a cidade se se concretizar a hipótese de vitória dessa aliança inusitada?

Em entrevistas e conversas, Pimentel tem dito que pesquisas apontam que a população vê com bons olhos a "harmonia" entre as forças políticas. Interessante seria se a população dissesse o contrário... Mas, a partir daí, o enredo é ensaiado com o governador, de quem emulou o discurso da vocação mineira para a conciliação e entendimento. Lança mão e incorpora, como se acreditasse de verdade, no velho e surrado discurso do avô de Aécio, com citações ufanistas à "mineiridade", essa alma mítica para a qual o fazer político é atividade nobre somente se guiada pela determinação de aplainar arestas e construir consensos.

Qualquer estudante de primeiro período do curso de sociologia sabe que o discurso da mineiridade é um engodo só. Foi construído na República Velha para justificar os acordos dentro da elite, acomodando seus interesses e, claro, deixando de fora os demais, quer dizer, o povo ou suas instâncias de representação. No caso de Pimentel, muito mais grave, deixa-se de fora o PT – que, com todos os defeitos, ainda é o único partido político brasileiro que preserva um mínimo de democracia interna e impõe limites à prática do caciquismo político – tão comuns, notadamente na outra ponta da presente aliança.

Quanto aos riscos para a cidade, considero eloqüente a ausência – nas conversas, entrevistas, na badalação midiática promovida pelo governador Aécio e o prefeito Pimentel – do tema "programa de governo para BH". Aí reside o ponto central do nosso argumento. A aliança é tão somente meio, não é fim em si mesmo, não visa a cidade, não visa o bem-estar da população. O silêncio sobre o que farão e como farão, se governarem juntos BH, é o ato falho que denuncia o despropósito político da jogada.

Arrisco-me a dizer BH corre sério risco é de perder os avanços que conquistou desde que o PT, com Patrus Ananias, conquistou o poder em 1993. Avanços para os quais o PSDB sem dúvida alguma, contribui, atuando como oposição diligente. Mas que seria incapaz de fazer por si próprio, seja por não considerar, em seus métodos, a participação popular na construção de soluções que hoje são consagradas, seja por não ter mecanismos internos de crítica e autocrítica – tampouco quadros locais preparados – para administrar uma cidade como BH.

Retirar o partido do processo de escolha do candidato. Usar do poder que lhe confere o Diário Oficial do Município para convencer a militância acerca de suas teses. É essa a obra, verdadeiro PAC do desvirtuamento político, que Pimentel quer nos legar, aos munícipes e aos militantes partidários, com a aliança PT-PSDB.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Campanha pela redução da conta de luz em Minas

Na época da campanha de 2006 nós já havíamos falado aqui sobre o absurdo que é cobrado do cidadão mineiro pela energia elétrica, e como a propaganda do governador sobre a responsabilidade desse valor era mentirosa. Clique aqui para relembrar.

A situação não mudou, e o consumidor residencial de Minas continua pagando a energia mais cara do Brasil. Até agora.

No dia 29 de janeiro, a Aneel anunciou uma proposta de revisão tarifária para a Cemig, em que propõe a redução média da tarifa de energia elétrica em 9,72%. Essa proposta está submetida a consulta pública. Qualquer cidadão pode enviar sua manifestação por e-mail, fax ou correio, sugerindo alterações, que, por lei, serão obrigatoriamente analisadas pela Aneel até o dia 5 de março, quando ocorrerá em BH uma audiência pública sobre o tema. O novo índice definido por esta revisão entrará em vigor no dia 8 de abril.

Mas se a proposta já é reduzir, por que devemos nos manifestar?

Por vários motivos. O primeiro e mais óbvio é porque a redução pode ser maior que a proposta. Uma inspeção feita pelo Tribunal de Contas da União nas contas da última revisão tarifária, em 2003, mostrou que o aumento de 31,52% concedido nesta época deveria ter sido menor. Além disso, nos últimos anos, foram concedidos diversos outros aumentos: 14,78% em 2004; 18,48% em 2005; 5,16% em 2006 e 6,5% em 2007. Também no ano passado, a Cemig entrou com um recurso junto à Aneel solicitando um aumento de mais de 20%, alegando a necessidade de incrementar sua estrutura de licitações e contratos – necessidade que se mostra questionável quando tomamos conhecimento de que a empresa não tem adotado o Pregão, modalidade de licitação instituída pela Lei Federal nº 10.520/2002 e tida como mais econômica, rápida e transparente.

O deputado estadual Weliton Prado (PT) alega também que faltou transparência no cálculo do índice proposto atualmente: "a Aneel não especificou o cálculo nem na nota técnica nem em nenhuma das mais de quatrocentas páginas do processo de revisão". Weliton, junto com o deputado federal Elismar Prado (PT), está organizando uma campanha popular pela redução da tarifa de energia. Ambos estão colhendo assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue à Aneel na audiência do dia 05.

No site do deputado estadual, além das últimas notícias sobre o assunto, foram disponibilizados links para:
1) download do arquivo do abaixo-assinado em pdf;
2) uma lista de modelos de contribuições (elaborados pelas consultorias técnicas dos dois mandatos parlamentares) que podem ser enviadas pelos cidadãos para a Aneel, e
3) consulta à relação de contribuições já enviadas para a agência até agora.

(clique na figura para ampliar)

Quer colaborar? Então anote aí:

Audiência pública sobre a revisão tarifária da Cemig
5 de março, quarta-feira, das 8hs às 12hs,
no auditório do Centro de Educação Tecnológica – CEFET
(Av. Amazonas, 5253, Nova Suíça, Belo Horizonte)

Envie sua manifestação
por e-mail: ap007_2008@aneel.gov.br
por fax: (61) 2192-8839
pelo correio: SGAN, Quadra 603, Módulo I, Térreo
Protocolo Geral da Aneel, CEP 70.830-030, Brasília/DF

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Atenção: exatamente enquanto toda essa mobilização ocorre (coincidência?), no mundo encantado de Caras a Cemig lança sua nova campanha institucional, exibindo depoimentos de consumidores beneficiados pela chamada "tarifa social" – que isenta os consumidores de baixa renda do ICMS – e louvando "a melhor energia do Brasil". Fique esperto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, a redução das tarifas beneficia a todos os consumidores residenciais, isentos de impostos ou não.

Todos juntos somos fortes!

Recebi por e-mail a proposta deste blog e declaro meu apoio total! Em solidariedade ao jornalista Luis Nassif, que tão bravamente tem denunciado inúmeros podres da revista Veja, a idéia é que todo blog inclua o link para http://luis.nassif.googlepages.com/home sempre que escrever em seu blog a palavra "Veja". Quanto mais gente fizer isso – assim, exatamente do mesmo jeito –, maior a probabilidade da denúncia do Nassif subir cada vez mais posições na lista das buscas por Veja no Google e nos demais mecanismos de busca. É a união dos pequenos revertendo a vantagem da popularidade do inimigo! Genial!

(obs: post de 28/02. coloquei a data errada apenas para manter a campanha pela redução da tarifa de energia no topo do blog)

terça-feira, janeiro 15, 2008

Macartismo Mineiro

(Por Pedro Venceslau, publicado na edição de novembro de 2007 da Revista Fórum)

Nelson Rodrigues costumava dizer que toda unanimidade é burra. Em Minas Gerais, a unanimidade em torno do governador Aécio Neves vai mais longe. É, além de burra, truculenta, cega e venal. Nenhum outro governador brasileiro ostenta índices tão altos de aprovação e popularidade. Apontado como um dos favoritos ao Planalto em 2010, Aécio raramente aparece na mídia em situações desconfortáveis ou constrangedoras. Quando isso acontece, como no caso do "mensalão tucano", a imprensa mineira é a última tocar no assunto. Via de regra, espera um sinal de fumaça do Palácio da Liberdade para entrar na pauta, sempre na esteira da defesa do governador. Mas de onde vem esse fervoroso engajamento jornalístico? Será bairrismo em torno da perspectiva de um mineiro na presidência? Ou é o fato de o governador ser jovem, boa pinta e austero com as finanças?

Nos bastidores do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, existe uma azeitada máquina de comunicação e propaganda trabalhando a todo vapor para manter a imagem de Aécio intacta e em alta até as eleições de 2010. Esse projeto de poder, que começou a ser gestado em 2002, é baseado no binômio truculência e dinheiro. Em Minas, é proibido falar mal do governador. Casos de jornalistas que ousaram quebrar essa regra e foram demitidos ou ameaçados existem aos borbotões. O resultado, em muitos casos, é a opção pela auto-censura como forma de sobrevivência.

Esse consenso tem sido financiado por uma farta publicidade estatal. Não é a administração direta, mas as estatais que mais gastam em comunicação e publicidade. Com isso, fica mais difícil a fiscalização da Assembléia Legislativa, que ainda por cima conta com uma oposição pouco coesa. "Minas é um estado com alto grau de censura. A imprensa, aqui, é porta-voz do governo Aécio. Existem muitas denúncias de jornalistas perseguidos pelo Palácio da Liberdade. A intervenção do governo se dá de forma direta. Eles pedem a demissão de funcionários e, em muitos casos, são atendidos. Hoje, a censura é mais econômica, já que a cota de publicidade (estatal) nunca foi tão alta. O gasto de publicidade de Aécio cresceu 500% em relação a Itamar. Na execução fiscal de 2006, ele gastou 400% a mais que o previsto", relata o deputado estadual Carlin Moura, do PCdoB.

A pedido da Fórum, Carlin enviou um requerimento ao governo pedindo uma planilha detalhada com todos os investimentos publicitários do estado, incluindo as estatais. Até o fechamento desta edição, esses dados ainda não haviam sido liberados. "Existe uma caixa preta, já que a maioria dos gastos é feita por empresas estatais, como a Cemig e a Copasa, sobre as quais a Assembléia não tem controle. Eles não dão as rubricas separadas", conclui Carlin. Em tempo. Segundo dados do Diário Oficial de Minas, a Copasa gastou, só no primeiro trimestre de 2007, R$5.208.000. A estatal opera com duas agências, a 3P Comunicação e a RC Comunicação Ltda. No segundo trimestre, a estatal gastou mais R$6.615.000, sempre com as mesmas agências. "As empresas são obrigadas, por um dispositivo legal, a informar o volume de gastos, mas não temos como fazer o acompanhamento orçamentário", informa um assessor da Assembléia Legislativa. O Diário Oficial informa, ainda, que, em 2007, a Secretaria de Estado de Governo já ultrapassou os R$30 mil.

Não foi por acaso que Minas Gerais foi o estado que registrou a maior adesão à Semana de Democratização da Mídia. No último dia 5 de outubro, cerca de mil manifestantes de entidades como Abraço, FNDC, Fenaj, CUT, UNE e MST se concentraram em frente ao Palácio da Liberdade. Além de pedir transparência nos processos de concessão de TV, os mineiros denunciaram a falta de liberdade de imprensa no estado. "Em Minas Gerais a liberdade de pensamento é muito mais atacada, pois vivemos sob uma pesada censura praticada pelo governo do estado em parceria com os donos dos principais veículos. Com o objetivo de promover a blindagem em torno da figura do governador Aécio Neves, vários jornalistas foram demitidos por produzirem matérias que desagradaram o Palácio da Liberdade. Depois dessa perseguição, nunca mais se viu ou se ouviu uma única reportagem que contrariasse o interesse da elite que governa Minas Gerais", resumiu o manifesto batizado de "Carta de Belo Horizonte", produzido pelos manifestantes.

"O maior jornal do estado, O Estado de Minas, eu chamo de 'O Estrago de Minas'. Ele é totalmente ligado ao governador. A verdade é que todos estão comprometidos. Não sobra nenhum. Chamam o Aécio de 'o filho do avô'. Ele não tem tradição nenhuma na política, mas é blindado. Por quê? Falam do mensalão mineiro, mas deviam investigar é o mensalão da mídia mineira", diz José Guilherme Castro, coordenador de comunicação e cultura da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e secretário geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). "Aqui em Minas não saiu nada sobre o mensalão mineiro. Só começaram a publicar essa história quando veio a reação do Aécio", conclui Kerisson Lopes, um dos organizadores da manifestação do dia 5 de outubro, em Minas.

Neste último mês, Fórum conversou com jornalistas, políticos, pesquisou números e levantou histórias reveladoras sobre os bastidores de uma relação mais que promíscua entre o primeiro e o quarto poder em Minas Gerais.


Coco e romance em Ipanema

Em plena tarde de quinta feira, três carros de luxo estacionam em frente a um quiosque de Ipanema, na altura do Jardim de Alah. Os curiosos param para ver a cena. Um casal desce cercado por seguranças e pede água de coco. No dia seguinte, os jornais cariocas revelam o nome dos pombinhos: Aécio Neves e a miss Natália Guimarães. A nota repercutiu no país inteiro, menos em Minas Gerais. Ocorre que, naquele mesmo dia, o governador tinha um importante compromisso – uma solenidade em homenagem à cultura mineira. Diante da inusitada ausência do governador, o vice Antônio Augusto Anastasia teve de improvisar o discurso. Esse pequeno episódio foi lembrado pelo deputado Carlin para um plenário vazio na Assembléia Legislativa de Minas.

Não houve repercussão. Ninguém tocou no assunto, nem mesmo nas colunas sociais locais. O "namoro" só veio à tona na base de Aécio quando sua assessoria achou conveniente. "O romance do governador com a miss Brasil", estampou, na capa, a revista IstoÉ Gente do último dia 15 de outubro. O episódio é menor, mas cheio de significado. Apesar do clima de macartismo, alguns profissionais ousam revelar os bastidores do esquema. Fórum conversou com um dos editores de um dos maiores jornais mineiros. Por motivos óbvios, ele pede para não ter seu nome revelado. "As pautas chegam com algumas rec's (recomendações). É o editor-chefe quem administra isso. Ele precisa ter jogo de cintura. Para garantir essa blindagem, o governo ataca em massa e manda fazer cadernos especiais de estatais, especialmente da Copasa. Quem cuida dessa interlocução diretamente é a irmã do Aécio, Andréia Neves. É ela que manda na área de imprensa. O Aécio paira por cima. Andréia provocou a demissão de vários companheiros."

O nome de Andréia Neves da Cunha, 48 anos, irmã mais velha de Aécio e chefe do serviço de assistência social do estado, causa calafrios nas redações mineiras, especialmente nas de Belo Horizonte. Apesar de, formalmente, ocupar um cargo que tradicionalmente pertence à primeira dama, na prática é ela a comandante de fato da área de comunicação da administração. Em reportagem publicada em outubro no jornal Valor Econômico, os repórteres César Felício e Ivana Moreira revelaram ao Brasil o que todo jornalista mineiro já sabia. Coube a Andréia o comando da operação colocada em curso para minimizar os danos do noticiário do mensalão tucano sobre seu irmão. Foi ela que decidiu pela estratégia de aguardar uma semana para que Aécio se pronunciasse oficialmente.

Além do serviço social, a irmã de Aécio também comanda o Grupo Técnico de Comunicação, uma equipe de 12 profissionais de mídia empregados na estrutura do estado e que determina as ações de marketing. Não é exagero dizer que esse é o quartel general da inquisição.


Andréia mãos de tesoura

Era para ser apenas um trabalho de conclusão de curso, mas se tornou um dos vídeos mais assistidos do site YouTube. Em 2003, o estudante de comunicação da UFMG, Marcelo Baeta, recebeu anonimamente uma lista de jornalistas demitidos a pedido do governador. Ficou com a pulga atrás da orelha e passou a prestar mais atenção no noticiário. A decisão definitiva de fazer um documentário foi tomada em novembro de 2004, quando o governo lançou uma campanha maciça para anunciar o "déficit zero". Baeta notou que a matéria do repórter Ismar Madeira, no Jornal Nacional, era bem parecida com os anúncios publicitários do governo do intervalo, onde um ator-repórter anunciava que "Minas Gerais superou uma década no vermelho". Um escândalo. No fim da noite, Aécio apareceu no programa Jô Soares, no qual foi fartamente elogiado pelo apresentador bonachão.

A apuração de Baeta revelou a faceta mais brutal do governo Aécio. Um dos entrevistados foi o jornalista Marco Nascimento, hoje diretor de jornalismo da TV Gazeta, em São Paulo. Ele conta, sem rodeios, que Andréia Neves pediu sua cabeça logo depois das eleições, quando Nascimento era diretor de jornalismo da Globo MG, em função de uma série de matérias "que estavam sendo ruins para o governo". "Imaginei que contaria com o apoio da Globo no Rio, mas estava enganado", disse a Baeta. Procurado por Fórum, Nascimento disse que prefere não falar mais sobre esse assunto. Ele não imaginava que um trabalho de conclusão de curso fosse ter tamanha repercussão, a ponto de ser citado em matérias publicadas na Europa.

Outro que denunciou os abusos de Aécio, mas acabou voltando atrás, foi o jornalista esportivo Jorge Kajuru. Em maio de 2004, ele ficou furioso na véspera de um jogo da seleção brasileira no Mineirão. Com o microfone em punho, esbravejou: "Sobra ingresso para os convidados do governador de Minas, falta para o torcedor". Resultado: foi demitido no intervalo. Irado, Kajuru fez um desabafo no programa do apresentador Clodovil. "A irmãzinha dele (Aécio) pede a cabeça de jornalista. Tem jornalista em Belo Horizonte perdendo emprego por causa dela. A emissora sofreu uma pressão enorme. Aécio deve estar rindo agora."

Não resta dúvida de que o período mais agressivo das investidas de Andréia Neves contra os jornalistas foi entre 2003 e 2004. "Nos primeiros anos de governo, recebíamos muitas denúncias graves de jornalistas que reclamavam de cerceamento por parte dos editores. Havia ingerência direta do governo e da assessoria na cobertura. Era escancarado. Os proprietários eram pressionados e pressionavam os editores para barrar a divulgação de matérias ruins para o governo", revela Alexandre Campelo, diretor do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. "Os repórteres denunciavam mudanças e distorções nas matérias que escreviam. Nos últimos dois anos, as queixas diminuíram. Na minha opinião, a pressão, hoje, é mais financeira. A conjuntura profissional – leia-se falta de emprego – colabora para deixar os jornalistas com medo. A cobertura, por sua vez, continua chapa branca. É difícil ver notícias de impacto contra o governo ou o governador. Denúncias só aparecem em veículos de outros estados", completa.


O caso Lindemberg

Não é de hoje que a imprensa mineira mantém relações promíscuas com o governo estadual. Há quem diga que a tradição nasceu com Assis Chateubriand e seu império, os Diários Associados, grupo que ainda hoje é forte no estado – é dono do jornal O Estado de Minas. Especulações à parte, existe um episódio curioso que passou completamente batido pela grande imprensa nacional, mas que merece ser observado com lupa. No último dia 19 de setembro, a revista IstoÉ publicou uma reportagem explosiva: "Exclusivo: Os documentos do mensalão mineiro".

A repercussão foi imediata em todo o país, menos em Minas. Mas isso não vem ao caso. O que chama atenção é o fato de que o documento que deu origem à matéria – um relatório da Polícia Federal – está, hoje, disponível na internet para quem quiser ler e repercutir. Mas, curiosamente, existe pouca gente interessada no assunto. Fórum imprimiu e esmiuçou as 172 páginas do relatório. E descobriu que ainda existe muita pauta quase inédita para ser publicada. Em linhas gerais, o relatório – que se refere ao período em que o tucano Eduardo Azeredo foi governador e candidato a reeleição – mostra que toda a estrutura de caixa dois criada por Marcos Valério passava pela comunicação, por meio da simulação de gastos com comunicação.

Mas isso também não é novidade. Na página 151, entretanto, um nome salta aos olhos: Carlos Lindemberg Spínola Castro. Para quem não sabe, ele era na época e ainda é editor do jornal Hoje em Dia, que pertence à Igreja Universal e é um dos maiores do estado. No período investigado, o ano de 1998, quando Azeredo tentou a reeleição, Lindemberg recebeu da SMP&B, portanto da campanha, R$130 mil para dar "opiniões políticas". Em depoimento para a Polícia Federal, ele reconhece que recebeu R$50 mil. Existe algum problema no fato de Lindemberg ser o responsável por um dos principais jornais do estado e receber dinheiro da campanha do governador que tenta a reeleição? A imprensa mineira acha que não. Tanto é que apenas um site no estado, o Novo Jornal, tocou no assunto. Outros jornais e revistas do Brasil chegaram a ensaiar a publicação do caso, mas foram "convencidos" a deixar quieto.

Fórum conversou com Lindemberg, que se defende. "Não existe relação entre uma coisa (ser diretor de um jornal) e outra (prestar serviço como consultor). Sempre prestei consultoria. Não trabalho para nenhum político ou agência, fui pago por uma agência de forma limpa. Tanto é que não há ilicitude em relação a mim." Além de dizer que toda unanimidade é burra, Nelson Rodrigues (sempre ele) também disse, certa vez, em sua Flor de Obsessão: "o mineiro só é solidário no câncer". Dessa vez, contudo, parece que ele errou.


Jornal mineiro é o mais vendido do Brasil

Pela primeira vez na história da imprensa brasileira os mineiros têm um jornal que é líder de circulação no país. Informa o Instituto de Verificador de Circulação (IVC) de agosto que o Super Notícia, tablóide diário de 25 centavos, vem mantendo uma média diária de 300.322 exemplares distribuídos. Isso é mais que a Folha de S.Paulo (299.010), O Globo (276.733), Extra (238.937) e O Estado de S.Paulo (238.752). Com 32 páginas de editorial e 13 de anúncio, o Super se transformou em um fenômeno abusando de sangue, mulher e futebol e reciclando material editorial dos jornais O Tempo e Pampulha, que pertencem ao mesmo grupo. O pai da idéia e dono do jornal é o empresário e político Vittorio Medioli, ex-deputado federal pelo PSDB, atualmente no PV.

terça-feira, novembro 27, 2007

Governo de Minas: um passo atrás na educação

(Do site do Sinpro-MG, publicado em 22/11/2007)

"Como um curso desse pode formar um professor de espanhol?"

O governo do Estado de Minas Gerais arranjou uma saída inusitada para cumprir a lei 11.161/2005, que cria a obrigatoriedade da oferta da disciplina de língua espanhola no ensino médio das redes pública e privada. Através de convênio com a fundação de uma grande escola de idiomas de Belo Horizonte, será oferecido um curso de espanhol para professores, principalmente de português e inglês, com 240 horas/aula em apenas 30 dias. O objetivo é capacitá-los a lecionar o idioma nas escolas públicas de Minas Gerais, sendo designados para cobrir a demanda gerada pela nova legislação.

Para o professor José Pires Cardoso, presidente da Associação dos Professores de Espanhol de Minas Gerais - APEMG, a medida tomada pelo governo de Minas é um passo atrás na qualidade da educação. A APEMG e várias outras entidades estão colhendo assinaturas para um manifesto que será entregue à Secretaria do Estado de Educação no dia 30 de novembro. O Sinpro Minas apóia a iniciativa e participa do ato pela qualidade do ensino do espanhol, que será promovido no dia 28 de novembro, de 11h às 15horas, na Praça 7.


Entrevista

Sinpro Minas - O curso a ser oferecido pelo Estado pode ter que implicações?
Prof. José Pires - Será um curso de imersão com 240 horas/aula. Como um curso desse pode formar um professor de espanhol? Que qualidade terá o ensino da língua espanhola para o jovens de Minas Gerais.

Sinpro Minas - Qual o prazo para a lei 11.161 ser implementada?
Prof. José Pires - A lei estabelece o prazo de 5 anos para a implementação, ou seja 4 de agosto de 2010.

Sinpro Minas - O governo poderia tomar outra medida?
Prof. José Pires - Outra saída seria o governo fazer licitação pública no qual participassem instituições de ensino superior que formam professores de língua espanhola e oferecem outra habilitação ou obtenção de novo título para quem, por exemplo, já tem a graduação em Letras (Português, Inglês ou Francês, etc).

Sinpro Minas - Existe alguma legislação que exige uma formação mínima para professores de línguas no ensino regular?
Prof. José Pires - Existe uma resolução do Conselho Nacional de Educação (02/2002), que diz ser necessário para professores do ensino básico 2.800 horas, ou seja o mínimo de 3 anos. Mas isso para um curso completo, se o professor já tiver outra habilitação, ele pode fazer só a complementação de mais ou menos 1600 horas e dar aula de espanhol.

Sinpro Minas - Quantos professores serão necessários na rede pública quando se tornar obrigatória a oferta da disciplina de espanhol?
Prof. José Pires - Se forem implementadas duas aulas de espanhol por semana, a estimativa é que sejam necessários 2.800 professores de espanhol. A secretaria do Estado de Educação disse que vai fazer um levantamento. Não foi feito nenhum concurso público.

Sinpro Minas - Então, os professores que fizerem o curso de capacitação em espanhol serão contratados sem concurso?
Prof. José Pires - A proposta hoje é a contratação por designação, conforme o Estado faz anualmente em todas as áreas. A informação é que, primeiramente, serão designados professores concursados, no caso do Espanhol, isso não vai ocorrer, porque há muito tempo não são realizados concursos. Em segundo lugar, serão chamados os professores que têm licenciatura plena (legalmente habilitados), depois com licenciatura curta, além de outros à disposição na página da Secretaria (www.educacao.mg.gov.br).

Sinpro Minas - Qual o maior problema que você vê na atitude da Secretaria do Estado de Educação de Minas Gerais quanto ao ensino do espanhol?
Prof. José Pires - O maior problema é que a oferta do curso de capacitação em 30 dias desestimula quem está cursando Letras e se graduando para o ensino do espanhol. Como é que uma pessoa sem habilitação poderá dar aulas? A conseqüência será a desvalorização da profissão e um prejuízo enorme para os alunos. Pois, que tipo de ensino de Língua Espanhola será oferecido nas escolas de ensino médio em Minas?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Ministério Público investiga licitação em MG

(Frederico Vaconcelos, para a Folha de São Paulo – link só para assinantes, copiei do Nassif)

Consórcio de empreiteira inabilitado para construção de empreendimento de grande porte quer levar caso à Justiça

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais abriu investigação para apurar se houve irregularidade na licitação pública para a construção do Centro Administrativo do Estado de Minas Gerais, obra inicialmente estimada em cerca de R$ 900 milhões que o governo Aécio Neves (PSDB) espera ver concluída em dois anos.

Trata-se de um empreendimento de porte, ao lado da construção da Linha Verde, que liga Belo Horizonte ao aeroporto de Confins, e obra que também deverá gerar fortes dividendos eleitorais em 2010.

A investigação do Ministério Público foi instaurada porque um dos consórcios inabilitados, formado pelas empreiteiras Construcap, Ferreira Guedes e Convap - as duas primeiras de São Paulo, a terceira, de Minas Gerais -, alegou que a comissão de licitação descumpriu uma decisão judicial para evitar que sua proposta fosse conhecida.

A licitação foi divida em três lotes. No dia 15 a Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) anunciou a abertura das propostas com os menores preços oferecidos por três consórcios (Camargo Corrêa/Mendes Júnior/Santa Bárbara, Odebrecht/OAS/Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez/Via Engenharia/Barbosa Mello. Outros três consórcios foram inabilitados). As três ofertas somam R$ 948 milhões.

O consórcio da Construcap diz que teve recurso negado pela Codemig em 30 de outubro e que a administração marcou para o dia seguinte, às 9h00, a abertura de envelopes com as propostas. A pressa foi entendida como forma de alijar a Construcap e parceiras da licitação, pois impediu revelar que seus preços poderiam ser inferiores aos das concorrentes.

A Construcap conseguiu, então, uma liminar do juiz Gutemberg da Mota e Silva determinando à Codemig a abertura do envelope com a proposta do grupo inabilitado. Iniciada a sessão, ao receber o oficial de justiça, a comissão de licitação, segundo a representação ao MP, "adotou uma conduta surpreendente e inexplicável: recusou-se a dar cumprimento à ordem liminar". Com isso, os envelopes não foram abertos. A Codemig obteve, depois, uma decisão judicial em que o desembargador Dárcio Lepardi Mendes suspendeu a liminar.

Mendes entendeu que a comissão de licitação mantivera a inabilitação da Construcap e de suas parceiras. Considerou os riscos de dano irreparável, pois, com a suspensão da licitação, as obras seriam adiadas, "o que afronta o interesse público". Se as reclamantes comprovarem que haviam cumprido os requisitos do edital, "o processo licitatório pode ser anulado e retomado com a participação dessas concorrentes", afirmou.

Os advogados que representam o consórcio inabilitado ofereceram representação ao Tribunal de Contas do Estado e pretendem recorrer da decisão de Mendes no TJ-MG. Na hipótese de novo desfecho desfavorável, entrarão com recurso no Superior Tribunal de Justiça.

Sobre o valerioduto tucano

Apanhado de posts reproduzidos do blog Amplifique, do Marcelo Baêta:

23/11/2007

"Minas unida" em 2010

Da Folha hoje:

"As investigações que resultaram na denúncia do valerioduto tucano tiraram da cena eleitoral de 2008, em Belo Horizonte, Walfrido dos Mares Guia e Eduardo Azeredo. Na avaliação do PT e do PSDB mineiros, mesmo que Walfrido e Azeredo neguem culpa no esquema de 1998, a condenação eleitoral já teria ocorrido.

Walfrido (PTB) era o único que poderia aproximar o PT do PSDB, solução que agradaria o prefeito petista Fernando Pimentel e o governador tucano Aécio Neves. Walfrido tinha bom trânsito com petistas e tucanos e figurou na lista do prefeito Pimentel como candidato à sua sucessão em coligação com o PT.

Já Azeredo era o nome mais forte do PSDB para ir para a disputa eleitoral e tentar desbancar os petistas, que, se vencerem, completarão 20 anos de poder no município. A opção Walfrido poderia ser até mesmo usada por Aécio Neves, que nunca escondeu que seu desejo é, se viabilizado candidato a presidente, ir para a disputa nacional com 'Minas unida'."


Aécio escapa da denúncia do mensalão mineiro

Da Folha hoje:

"O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, deixou de fora da denúncia do valerioduto tucano e das sugestões de novas investigações políticos que receberam dinheiro do caixa dois da campanha de Eduardo Azeredo em 1998. Segundo ele, as irregularidades prescreveram em 2006.

Foram excluídos nomes da lista atribuída a Cláudio Mourão, coordenador financeiro da campanha. Constava da relação, entre outros, o governador Aécio Neves (MG), então deputado federal, com a anotação de R$110 mil. A PF destacou depósito de R$15 mil a ex-sócia da irmã de Aécio, Andréia". Assinante lê mais aqui.


Para Marcelo Leonardo, políticos mineiros foram poupados

Da Folha hoje:

O advogado de Marcos Valério Fernandes de Souza que cuida da parte criminal do caso, Marcelo Leonardo, contestou a denúncia feita ontem pela Procuradoria-geral da República, afirmando que ela é 'incoerente' em comparação com a denúncia do mensalão do PT.

'Pode-se registrar uma incoerência do procurador entre o inquérito 2245 [mensalão] e esta, na medida em que ele excluiu [da denúncia de ontem] todas as pessoas que receberam valores, justificando que isso seria crime eleitoral, que já está prescrito', disse Leonardo. Mas, segundo ele, no mensalão 'foi dito que era corrupção', e não crime eleitoral.


***

O prestigiado advogado mineiro Marcelo Leonardo ressalta que os políticos que receberam dinheiro no mensalão petista foram acusados de corrupção. Já os políticos que receberam dinheiro no mensalão tucano foram acusados de crime eleitoral, já prescrito.

Segundo o raciocínio de Marcelo Leonardo, os políticos que receberam dinheiro do valerioduto tucano foram favorecidos, receberam tratamento mais brando. Em outras palavras, não pagarão pelos seus crimes.

Entre os políticos que se enquadram no caso acima e não serão investigados encontra-se o governador Aécio Neves, que consta da "lista do Mourão" como recebedor de R$110 mil do esquema do valerioduto tucano.


24/11/2007

Investigação sobre valerioduto mineiro chega a Danilo de Castro

Da Folha hoje:

Embora centrada em episódios da campanha de 1998 à reeleição do ex-governador de Minas Gerais e hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB), a denúncia da Procuradoria Geral da República sobre o valerioduto tucano deve afetar o futuro político de dois aliados de primeira mão do governador Aécio Neves (PSDB-MG).

Os tucanos Danilo de Castro e Mauri Torres - secretário estadual de Governo e líder de Aécio na Assembléia Legislativa, respectivamente - avalizaram, em novembro de 2004, após as eleições municipais, empréstimo de R$ 707 mil que a agência de publicidade SMPB, então de Marcos Valério, tomou no Banco Rural. Ambos dizem ter atendido a um "pedido pessoal" de Ramon Cardoso, ex-sócio de Valério.

A denúncia da Procuradoria pede que a conduta de Castro e Torres seja apurada pelo Ministério Público de Minas. Cita que as agências de Valério SMPB e DNA ganharam licitações no governo mineiro "justamente" sob Castro como responsável pelo certame. Em 2004, a SMPB também atendia o Legislativo mineiro.

Ocorre que a Promotoria mineira já investiga o caso desde fevereiro de 2006, a partir de reportagem da Folha que revelou o episódio. Aguarda há meses o envio de laudo do Instituto Nacional de Criminalística sobre o destino do empréstimo, incluso na denúncia do procurador-geral, para definir o andamento da apuração.

Se for comprovado, por exemplo, que o dinheiro abasteceu candidaturas municipais naquele ano, Castro e Torres - importantes operadores políticos de Aécio - deverão ser acionados por improbidade administrativa. Caso os recursos tenham circulado apenas dentro da SMPB, como alega Valério, a investigação é arquivada.


25/11/2007

Aécio ameaça repórter da Folha

Da Folha hoje:

(…) Ontem, Azeredo passou o dia fechado em seu gabinete. Pela manhã, recebeu a visita do governador Aécio Neves (PSDB-MG). (...) Aécio Neves justificou ter ido prestar-lhe solidariedade. "Tenho um respeito enorme pelo Azeredo, homem de bem, senador legitimado pelo voto. Isso é um percalço da vida." Aécio se irritou, no entanto, quando perguntado se a denúncia também não o atingiria. "Aí você avalia, pode atingir você também", disse à Folha.

***

Cinco jornalistas já atribuíram suas demissões à publicação de informações que teriam desagradado o governo Aécio. Até no perfil do governador no Le Monde ficou registrada essa, digamos, peculiaridade do governo de Minas.

Com esse histórico de suspeição que pesa sobre suas costas, Aécio ainda diz a uma repórter que o pergunta se uma denúncia poderia atingí-lo que ela "pode atingir você também"?!? Tenha santa paciência...


Aécio tem "imprensa simpática à sua gestão em Minas"

Por Malu Delgado, em matéria sobre a sucessão presidencial de 2010, na Folha deste domingo:

(...)

As chances do mineiro (Aécio na disputa da cabeça de chapa do PSDB com Serra) aumentariam na medida em que apresente um resultado administrativo inovador no Estado. Ele elegeu duas áreas de destaque no segundo mandato: educação e segurança pública.

(...)

Nas projeções petistas, a viabilidade maior é mesmo a candidatura de Serra. Porém, arrepiam só de pensar numa mudança de cenário com Aécio Neves na cabeça da chapa tucana. Acham que, ao contrário de Serra, ele tem forte carisma e teria uma penetração muito forte no Nordeste.

Isso sem contar o absoluto controle eleitoral de Aécio sobre o segundo maior colégio eleitoral do país, a adesão maciça de prefeitos, com uma imprensa simpática à sua gestão no Estado.

Assinante lê mais aqui.


***

"Imprensa simpática", sei.

Quer dizer então que as áreas prioritárias do governo Aécio para o segundo mandato são "educação e segurança pública"? Vamos ficar de olho no que diz a "imprensa simpática" sobre esses assuntos. (...)


Estado de Minas não cita Cemig e Copasa nas matérias sobre valerioduto tucano

Do Estado de Minas neste domingo:

(...)

Na denúncia, ele (o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza) sustenta que houve desvio de R$3,5 milhões dos cofres públicos para a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo, hoje senador tucano. E aponta que esse valor pode ter sido maior. Segundo Antônio Fernando, há indícios, no inquérito, de uso de mais R$1.673.981,90 para financiamento dos gastos eleitorais do tucano.

Assinante confere aqui.


***

Os grifos acima são meus. Reparem que o "desvio de R$ 3,5 milhões dos cofres públicos" diz respeito ao dinheiro que, segundo a denúncia, foi desviado da Copasa, da Comig e do Bemge. E os mais deR$ 1,6 milhões a que se refere a matéria foram desviados da Cemig.

Por que o Estado de Minas não diz a seus leitores que, em 1998, houve desvio de recursos (corrupção, para ser mais claro) nas empresas públicas do governo de Minas perpetrado por uma administração tucana?

O fato é que as empresas públicas mineiras, como Cemig e Copasa, são atualmente grandes anunciantes do governo Aécio. Ou seja, o governo estadual faz propaganda de seus feitos sob a fachada institucional dessas empresas.

Resumindo, Cemig e Copasa são hoje grandes propagandistas do governador e o Estado de Minas omite que, no passado recente, foram assaltadas por tucanos. A mim parece que quando a Folha de hoje falou em "imprensa simpática" usou um baita de um eufemismo.

A tempo: o Estado de Minas é possivelmente o único jornal do Brasil que fala sobre um "suposto caixa 2″ quando se refere ao valerioduto tucano.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Cobertura capenga cava a cova: Aécio sabia? FHC sabia?

(do blog do Azenha)

Cobertura capenga cava a cova. Simples assim. O povo não é bobo, nem a Rede Globo. Presumir que o público não consegue enxergar as distorções, manipulações e omissões praticadas nas redações brasileiras é subestimar os leitores, ouvintes e telespectadores. O que se dá é um processo de aprendizagem. Recebi uma curiosíssima mensagem de um leitor do site que disse ter crescido com a obrigação de assistir, todas as noites, ao lado do pai, ao Jornal Nacional.

Mais recentemente, este leitor proporcionou ao pai a oportunidade de acessar a internet. Os hábitos da casa mudaram. O leitor contou que o pai se deu conta, de repente, da diversidade de fontes e de que é possível confrontar informações como nunca, na História.

O problema de trombar com os fatos é simples: você cria a expectativa de que o mundo vai acabar se a Venezuela for aceita no Mercosul, promove uma luta titânica entre os pró e os contra e, de repente, a CCJ da Câmara Federal aprova o parecer por ampla maioria. O leitor, ouvinte e telespectador fica sem entender nada... É o que os americanos chamam de "wishfull thinking", ou seja, um pensamento refém do desejo.

O jornalismo brasileiro é refém de seus desejos políticos e ideológicos. Batem o bumbo continuamente, oferecendo aos consumidores uma cobertura desequilibrada dos fatos. A Venezuela reduziu fortemente a pobreza? Página 25. Faltam produtos na Venezuela por causa do aumento da demanda? Página 30. Filas na Venezuela? Primeira página. A deputada chavista bateu num jornalista? Primeira página, sem contar a história direito para que não seja possível dar razão a ela.

Qual é o resultado disso? O público leitor, ouvinte e telespectador acha que o mundo está acabando na Venezuela. E se no dia 2 de dezembro, no plebiscito para aprovar ou não as mudanças constitucionais, o Chávez vencer com 60% dos votos válidos, como tem sido a tradição? Vão dizer que o povo venezuelano foi iludido? Foi comprado com o bolsa família? Qual será a explicação? A mídia cava a cova a cada cobertura capenga.

Falemos, agora, do "mensalão mineiro", que não houve. Em Minas Gerais houve desvio de dinheiro público de origem conhecida para financiar a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo. Era essencial eleger Azeredo, uma vez que, como aliado de Fernando Henrique Cardoso, ele daria uma tremenda força ao projeto dos tucanos de privatizar Furnas. Itamar Franco venceu e freou a privataria.

Além dos empréstimos bancários, não se sabe com certeza, ainda, a origem do dinheiro do mensalão petista, nem foi estabelecida com clareza a relação entre pagamentos mensais a senadores e deputados e o resultado de votações favoráveis ao governo no Congresso. Essa é a verdade factual. Existe uma forte suspeita de que o Banco do Brasil tenha contribuído.

Voltando ao valerioduto tucano, de acordo com a lista de Cláudio Mourão, um dos acusados de participar do esquema, dos R$ 100 milhões de reais arrecadados houve a destinação de R$ 4,5 milhões a Eduardo Azeredo para "saudar compromissos diversos". Onde é que Azeredo usou esse dinheiro? É uma pergunta que deveria ser feita a ele. Dá até para exibir o recibo que ele assinou para perguntar se é verdadeiro ou falso:



"The devil is in the details", o diabo está nos detalhes, dizem os americanos. Qual é a lista de acusados do desvio de dinheiro promovido pela coligação PSDB/PFL em Minas?

a) Eduardo Gomes foi secretário de comunicação do governo de Minas Gerais no primeiro mandato do tucano Aécio Neves, como registrou a "Folha";

b) Clésio Soares de Andrade foi vice-governador de Minas Gerais no primeiro mandato de Aécio Neves.

O que deveria levar à pergunta óbvia: Aécio Neves sabia? De acordo com a lista do tesoureiro Mourão, Aécio foi um dos beneficiários do esquema de desvio de dinheiro público, recebendo ajuda para sua campanha a deputado federal em 1998, embora os políticos de Minas, inclusive do PT, tenham escapado da denúncia.

Temos também a declaração, dada pelo próprio senador Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, de que dinheiro arrecadado para a campanha dele irrigou a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso em Minas, em 1998. FHC sabia?

Estas são perguntas que os comentaristas tucanos, nas rádios, nas emissoras de TV e nos jornais, NÃO FARÃO como fizeram durante os escândalos envolvendo Lula e o mensalão petista. Porém, se o princípio é mesmo de tratar iguais como iguais, não seria o caso de algum repórter perguntar a Fernando Henrique Cardoso se ele sabia do esquema de Minas?

De acordo com a coluna Toda Mídia, do Nelson de Sá, na "Folha de S. Paulo", a TV Globo evoluiu de "o esquema conhecido como valerioduto mineiro" para "o valerioduto do PSDB mineiro", na chamada do Jornal Nacional. É um tremendo avanço. Como não tenho o hábito de ver TV, não sei se entrou ou não o organograma da quadrilha tucana. Eu me lembro que, em plena campanha eleitoral de 2006, os organogramas eram comuns na emissora, inclusive um que colocou Freud Godoy na sala ao lado do gabinete da presidência da República. Freud, ficou provado mais tarde, não tinha nada a ver com o escândalo da tentativa de compra de um dossiê por aloprados petistas. Mas a mídia abandonou o assunto assim que a campanha eleitoral terminou e Freud ficou como o "anjo negro" de Lula, segundo a definição de Veja, numa alusão ao capanga de Getúlio Vargas.

O público brasileiro é subestimado de tal forma que a Globo acha que isso não tem ABSOLUTAMENTE nada a ver com queda de audiência!

(Aqui, os documentos da Polícia Federal sobre o valerioduto mineiro. Estes não mereceram, nem de longe, a cobertura que se vê agora. Mas estamos evoluindo.)

segunda-feira, outubro 22, 2007

Agências de Marcos Valério também reinaram no governo Aécio

Perdidinha, tímida e escondinha, esta nota na Folha deste domingo

Valério dominou as licitações do 1° governo Aécio
Entre 2004 e 2005, os pagamentos do governo mineiro às empresas de Marcos Valério SMPB Comunicação e DNA Propaganda somaram R$ 30,3 e R$ 8 milhões, respectivamente. Das 14 maiores campanhas publicitárias do governo em 2004, que totalizaram de R$ 21,8 milhões, SMPB e DNA ficaram com R$ 10,6 milhões (49%).


Repararam nos anos: 2004 e 2005? Como se vê, só parou porque o escândalo do chamado "mensalão do PT" estourou em 2005.

Que tal uma investigada nesses dois anos? Quem sabe o valerioduto tucano, que começou no governo Azeredo, não continuou no governo Aécio? Afinal, essa era a especialidade de Marcos Valério.

(do Blog do Mello)

Enquanto isso, no mundo de Caras, o que continua convenientemente dando assunto é o namorico do governador com a miss. Apesar do desmentido público da própria moça sobre o "relacionamento", segundo essa notinha aqui, Aécio teria dito que ia "transformar a segunda mulher mais bonita do mundo na primeira-dama do país". Isso é que é cortina de fumaça, o resto é retalho!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Exercício de cidadania

Recebi o e-mail abaixo do leitor Aluimar Resende:

"Prezada Clarice,

muito pertinentes as matérias publicadas em seu blog sobre o governador Aécio Neves. Pena que pouca gente se interessa por questionar o que o "novo" Collor de Mello está fazendo administrativa e economicamente com nosso estado. Dizem existir um gênio por trás dele, e eu acredito nisto, pois só com um gênio mesmo de lâmpada e tudo para conseguir remendar o rombo que este governo está fazendo nas finanças do estado em prol de sua candidatura a presidência, que é garantida seja pelo tucanato ou outro partido qualquer que o valha. As despesas com marketing e obras de vulto nacional não param, aliás, só no que tange ao marketing, pois as obras...

Sou um usuário diário da principal via que compõe a "LINHA VERDE", a Avenida Cristiano Machado, e o que todos podemos ver pelo menos nos últimos seis meses é uma tremenda enganação de vários postos de trabalho e todos com pouquíssimos trabalhadores e chance nenhuma de conclusão de nada, a não ser o trecho que compreende do centro, Av dos Andradas até a saída do túnel, e na chegada ao Aeroporto Tancredo "Neves", aonde provavelmente se anda de vidros abertos com visitantes. Engarrafamentos diários, desvios de faixas e mãos de trânsito provocando confusão e acidentes com motoristas e pedestres. Chego a brincar falando com amigos que têm sempre dois operários trabalhando: um tira uma pá de terra e joga para a esquerda e o outro tira esta mesma pá e devolve para a direita. É impressionante como o ritmo das obras caiu após a eleição. Qualquer usuário como eu que prestar um pouco a atenção, verá que existem trechos que o concreto já está ficando com um aspecto de velho antes da obra ser concluída e que muito provavelmente o que seria a solução para o trânsito da região norte da cidade, ao ficar pronta já estará completamente obsoleta e provavelmente não resolverá problema algum a não ser o da eleição presidencial...

Quero deixar claro que não considero de maneira alguma este conjunto de obras mais importante que as de qualquer outra cidade do estado, ou ainda pior que seja mais importante que um bom planejamento para resolver problemas seríssimos de saúde e educação. Quero apenas reforçar que a base do governo Aécio é fazer inauguração de obras e deixar o marketing cuidar do resto, pois até agora só ouvimos blá, blá, blá!!!

Um grande abraço

Aluimar Resende Francisco

PS: se houverem outros canais para relatar estes fatos por favor me indique pois estou indignado com a apologia falsa e surreal que se faz do governo de Minas.
A comparação que faço com o nosso ex-presidente não se refere à roubalheiras e conchavismo, ma somente à utilização do marketing como principal instrumento de governo."


Antes de mais nada, agradeço ao Aluimar não só a mensagem, mas a autorização para publicá-la aqui.

Respondi que é muito estimulante receber emails desse tipo, afinal, por razões óbvias, a gente SABE que existem coisas erradas acontecendo, mas o mundo da grande mídia é um mundo maravilhoso de fantasia, e essas pequenas coisas, esses pequenos relatos de cidadãos comuns é que reforçam a necessidade de se manter sempre um olhar crítico e atento, além de um pé (ou os dois) atrás quando lemos sobre as inúmeras e inquestionáveis virtudes do nosso governador inatacável.

Sugeri ao Aluimar que visitasse os links ao lado, podem ser úteis. Mas ao escrever pra ele tive a idéia de uma experiência que pode ser interessante! Sugeri que ele escrevesse seu relato, como cidadão comum, aos grandes jornais de Minas, afinal, todos os dias vemos reclamações desse tipo sobre a Prefeitura. Claro que se a carta fosse publicada seria uma enorme (e boa) surpresa, eu duvido que seja. Mas o que será que aconteceria se, diariamente, diversos cidadãos começassem a enviar seus relatos, suas histórias, denúncias e reclamações sobre o governo estadual? Até quando os jornais os ignorariam? Que estratégias usariam para inverter os sentidos?

Enquanto buscava os contatos dos jornais para envio de cartas dos leitores, acabei achando o tradicional Alô!Alô!, do finado DT, agora no tablóide Aqui. Curiosamente, a reclamação do dia (ontem) era sobre a linha verde. O cidadão reclama, reclama, reclama e no fim põe a culpa em quem? Na BHTrans! Na Prefeitura! Impressionante, ainda que não surpreendente.

Enfim, se alguém quiser se dispor a fazer o teste, copio abaixo os contatos dos jornais. Muitas vezes nos sentimos impotentes diante de problemas que parecem bem acima da nossa capacidade, mas se cada um fizer o pouco que está ao seu alcance, tudo fica mais fácil para todos. Se tudo que está ao seu alcance fazer é reclamar, reclame! Mas reclame pra muita gente... ;-)

Estado de Minas: opiniao.em@uai.com.br

Aqui: povo.aqui@uai.com.br
(se preferir ligar pro Alô!Alô!, o telefone é 31 3263-5372)

Hoje em Dia: opiniao@hojeemdia.com.br

O Tempo e o SuperNotícias são tão espertos que publicam as cartas de leitores nos seus sites mas não informam para onde os leitores devem enviá-las. Entrei em "fale conosco" e na falta de uma sessão "cartas dos leitores", anotei os seguintes e-mails, válidos para ambos os jornais:
Redação: luciacastro@otempo.com.br
Redação internet: emtempo@otempo.com.br

domingo, outubro 07, 2007

Enquanto isso, no mundo de Caras...

Miss Brasil e Aécio Neves estão juntos


Nas rodinhas da alta sociedade de Belo Horizonte não se fala em outra coisa: a Miss Brasil Natália Guimarães está namorando o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. O comentário é que o político foi o grande motivador do fim do noivado de quatro anos da Miss com o empresário Cristian Wagner. E ela, por sua vez, provocou uma segunda crise — e separação — no casamento do governador com Andréa Falcão.

Aécio foi apresentado a Natália no concurso Miss Minas Gerais, mas eles se conheceram melhor só depois do Miss Universo, numa festa de amigos em comum. Recentemente, ele veio ao Rio para encontrá-la, já que a modelo estava ocupada com os ensaios de "Dança no gelo".

Procurado pela coluna, o ex disse que não sabia de nada nem sequer se o número de celular de Natália continuava o mesmo. “Para falar a verdade, não me interessa mais”, disse, chateado.

Vale lembrar que Natália elogiou Aécio no Miss Brasil.

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Esse é o nosso governador! :/

terça-feira, outubro 02, 2007

Em tom ríspido, Aécio diz que não tem relação com valerioduto mineiro

(Por Henrique Gomes Batista, do jornal O Globo)

BRASÍLIA - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), costuma dizer que sempre é bem-humorado, mas não foi o que transpareceu ao ser questionado por jornalistas se teme que o relatório que investiga o valerioduto em Minas Gerais respingue em sua carreira:

- Olha. Eu sou a pessoa menos adequada para falar desse assunto, até porque desconheço, não tem qualquer relação comigo. Não tenho a falar com isso, você vai encontrar outras pessoas mais qualificadas para falar sobre isso, querida. Eu fui governador em 2002 e 2006 e por estas campanhas eu respondo - disse, em tom ríspido.

O principal alvo tucano da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o mensalão mineiro, deverá ser o senador Eduardo Azeredo (MG). O partido, entretanto, já decidiu lavar as mãos em relação à sua defesa. Na semana passada, o comando do partido teve uma conversa definitiva com o ex-governador mineiro. O presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), o líder da bancada no Senado, Arhur Virgílio (AM), e o senador Sérgio Guerra (PE) fizeram uma análise criteriosa da da situação. De forma reservada, a cúpula tucana já tem uma posição de que Azeredo deve fazer sua defesa solitária, sem envolver o PSDB.

A constatação no ninho tucano é de que o partido já se desgastou muito em 2005 quando, para proteger o governador Aécio Neves e o próprio Azeredo, que ocupava então o cargo de presidente do PSDB, resolveu amenizar o tom das críticas ao escândalo do mensalão.

Os tucanos temem ser acusados de um acordão com o Planalto, porque o ministro das Relações Institucionais e articulador político do Palácio, Walfrido dos Mares Guia, faz parte do mesmo esquema já conhecido como valerioduto mineiro.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Andréa Neves ascende como guardiã da imagem do irmão

(César Felício e Ivana Moreira, para o jornal Valor Econômico de hoje, 01/10)

Uma menção aparentemente gratuita da Polícia Federal no inquérito sobre o mensalão mineiro jogou luz sobre uma das peças-chave do governo de Aécio Neves (PSDB). A referência traz à superfície a discreta jornalista e historiadora Andréa Neves da Cunha, 48 anos, irmã mais velha de Aécio, oficialmente chefe do serviço de assistência social do Estado e comandante de fato da área de comunicação da administração. Conhecido por delegar funções, Aécio assenta seu governo em um tripé: a parte administrativa está sob o comando do vice-governador Antonio Junho Anastasia, a costura política local fica a cargo do secretário de Governo, Danilo de Castro. Imagem e estratégia estão com a irmã.

Na página 86 do inquérito, trata-se de Lidia Maria Alonso Lima, a beneficiária de um saque de R$15 mil de uma das contas controladas pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Como várias outras pessoas da lista, Lidia Maria disse à Polícia que recebeu os recursos a pedido de um candidato, no caso o pemedebista, já falecido, Eduardo Brandão. Em seguida, o relatório detalha: "Lídia Maria na época deste recebimento trabalhava na empresa Comercial Factoring Ltda, de propriedade de Andréa Neves da Cunha. Em outro depoimento, Lidia Maria relata ter feito parte dos quadros societários da empresa Taking Care, juntamente com Andréa Neves".

A menção a Andréa ocorre no momento em que a jornalista comanda a operação para minimizar os danos do noticiário do mensalão sobre seu irmão. Partiu da jornalista, isolada em seu gabinete no Serviço de Assistência do Estado (Servas) e em permanente contato com assessores do governo, a estratégia de aguardar uma semana de repercussão para que Aécio se pronunciasse publicamente.

Hábil em operações de blindagem e preservação de imagem, Andréa Neves só conversa sobre si com jornalistas amigos. Sua única atuação como profissional de imprensa foram algumas reportagens feitas para a revista "Pais e Filhos", nos anos 80. Ao vir para o primeiro plano, atribuiu à sua equipe a tarefa de detalhar sua situação empresarial. Assessores do governo mineiro esclarecem que Andréa foi dona da empresa de factoring entre 1993 a 1999, até a morte do marido e sócio Herval Braz, depois de um ano de luta contra o câncer. Tinha 50% do capital. Em 1996, montou com Herval, também jornalista e editor-chefe do jornal "Hoje em Dia", o segundo mais lido de Belo Horizonte, uma empresa de aluguel de carrinhos de bebê em shopping centers, com o nome em inglês. Ao ficar viúva, fechou a empresa de fomento mercantil e substituiu Herval pelo próprio Aécio, então deputado federal, como sócio da Taking Care.

Eleito governador em 2002, quatro anos depois do depósito de Marcos Valério para a funcionária de Andréia, Aécio saiu da sociedade e foi substituído, durante três anos, por Lidia Alonso. A Taking Care não é a única empresa da jornalista, cuja ascendência sobre o irmão é alvo de uma vasta mitologia em Minas Gerais. Andréa também está à frente da NC (Neves da Cunha) Participações, empresa que gere investimentos em comum dos irmãos (além do governador, há a irmã caçula, Ângela, dona de casa) e principal item patrimonial de Aécio em sua declaração de bens de 2006, quando o governador afirmou possuir cotas de capital no valor de R$193,4 mil.

Segundo a jornalista informou por meio da assessoria de imprensa do governo, a NC fora concebida para a administração de imóveis, mas hoje tem como única fonte de renda o aluguel de uma sala comercial na Avenida do Contorno, em Belo Horizonte. Andréa ainda é a responsável por duas emissoras de rádio FM, em Betim e São João del Rey, concessões dadas à família durante o governo Sarney.

Na campanha de 2006, em que Andréa atuou como uma das coordenadoras da reeleição do irmão, ela já havia sido o principal alvo da oposição. E como costuma acontecer na luta política do Estado, de forma indireta: seu nome constou como uma das operadoras no Estado do suposto caixa 2 descrito pela "Lista de Furnas", um documento cuja autenticidade está comprovada pela Polícia Federal, mas cujo conteúdo foi declarado falso pela CPI dos Correios. A lista foi colocada na Internet por militantes do PT mineiro. Andréa também ganhou ares de rainha cortadora de cabeças: circulou na Internet um vídeo onde seis jornalistas a responsabilizam diretamente pelas suas demissões, por terem feito reportagens que teriam desagradado o Palácio da Liberdade. A campanha de Aécio posteriormente conseguiu que dois dos jornalistas desmentissem a versão.

Adversários do PSDB e aliados são quase unânimes em afirmar - sempre sob reserva - que Andréa não cuida da captação de recursos e pagamento de fornecedores nas campanhas que se envolveu - todas as disputadas pelo irmão, desde a fracassada tentativa de se eleger prefeito de Belo Horizonte em 1992. Apesar da negativa do governo do Estado sobre a blindagem do governador, na primeira semana de repercussão do chamado "mensalão mineiro", o tema foi ignorado pelos jornais de Belo Horizonte.

O gerente de uma emissora de televisão relata casos em que funcionários da secretaria de Comunicação teriam obrigado repórteres a refazerem entrevistas, porque não gostaram das perguntas feitas a autoridades estaduais. Jamais partiu de Andréa, contudo, a iniciativa de ligar para uma chefia de redação. As reclamações partem de seus comandados, que negam, peremptoriamente, terem algum dia exigido a cabeça de qualquer jornalista.

Chefe do serviço de assistência social do Estado, Andréa é comandante de fato da área de comunicação.

Oficialmente, Andréa coordena o "Grupo Técnico de Comunicação", uma equipe de pelo menos doze profissionais de mídia empregados na estrutura do Estado que determina as ações de marketing. Um integrante deste grupo relatou a um amigo a cena de uma reunião. Segundo o relato, discutia-se a presença ou não do governador em um evento público que também contaria com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aécio havia decidido não comparecer.

Depois de ouvir o colegiado, Andréia teria ligado para o irmão e dito que Aécio deveria ir. O governador ainda teria resistido, ela argumentou que, em situação semelhante, outros governadores oposicionistas como José Serra iriam. Aécio acabou comparecendo. A cena não é confirmada pela assessoria de Andréa.

Este não é o único ambiente em que Andréa discute estratégia de comunicação. A jornalista também participa de encontros eventuais de Aécio com estrategistas de marketing político e diretores de institutos de pesquisa. No primeiro mandato do governador, fazia parte de um grupo ouvido por Aécio sobre a orientação política de seu governo.

Nenhum aliado ou adversário de Aécio confirma a corriqueira versão de que Andréa seria plenipotenciária no governo, mas todos convergem na construção da mesma imagem: a irmã mais velha comporta-se de modo maternal com o governador. De longe, seria a pessoa com maior ascendência sobre Aécio Neves. Ela detesta esta versão. Por meio da assessoria de imprensa do governo, lembrou que Aécio foi eleito presidente da Câmara em 2001 e quatro vezes feito líder da bancada tucana, sem que a irmã tenha sequer se aproximado de Brasília.

A relação entre Andréa e Aécio - eles nasceram, respectivamente, em 1958 e 1960 - estreitou-se em decorrência de uma dificuldade encontrada na infância: a separação dos pais, o então deputado Aécio Cunha e Inês Maria Neves, filha do presidente Tancredo Neves, falecido em 1985. O caminho dos dois se bifurcou após a adolescência.

Andréa foi estudar história e jornalismo na PUC do Rio, participou da fundação do PT fluminense e começou a transitar nos círculos esquerdistas da zona sul carioca. Tornou-se notícia pela primeira vez ao testemunhar a explosão do Puma ocupado por um sargento e um capitão do Exército no estacionamento do Riocentro, em 1981, provavelmente uma mal-sucedida operação terrorista para sabotar a abertura política. Aécio foi para Belo Horizonte estudar economia na PUC mineira e assessorar o avô.

A convergência voltou a ocorrer em 1984. Depois da derrota da emenda das eleições diretas no Congresso, Andréa tornou-se a coordenadora no Rio da campanha que visava manter a mobilização popular em torno da eleição indireta para presidente. O grupo conseguiu atrair diversas personalidades da época: do travesti Roberta Close à atriz Cristiane Torloni, do grupo de rock Ultraje a Rigor a jogadores de futebol e ao escritor Ziraldo. Estava com Andréa um grupo que posteriormente se tornou heterogêneo: continha desde futuros tucanos como o atual deputado e ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB), ou o futuro parlamentar Milton Temer, hoje ex-deputado e integrante do P-Sol. Aécio tornou-se secretário particular do avô e herdeiro político designado.

Após a morte de Tancredo e o casamento mal sucedido de Aécio, Andréa passou um ano em Nova York e, ao voltar, começou a ter papel ascendente em sua família: organizou o Memorial Tancredo Neves em São João del Rey, a pedido da avó Risoleta. Só voltou a Belo Horizonte em 1991, quando tornou-se secretária-adjunta de Cultura no governo Hélio Garcia.

O perfil radical de Andréa nos anos 80 se esfumaçou. A jornalista tem uma filha, Maria Clara, de seu primeiro marido, já falecido. Hoje está casada com o empresário Luiz Márcio Pereira, diretor do Sebrae mineiro e filho do ex-governador Francelino Pereira e comanda de forma original a assistência social em Minas. Destaca-se na filantropia estadual o alto grau de parcerias com grandes empresas e entidades patronais. A lista é extensa: empreiteiras como Camter, Barbosa Mello, Egesa, Fidens e Libe, bancos como o Itaú, multinacionais como a Nestlé e o McDonald"s, empresas do setor siderúrgico-minerador como CBMM, Mannesmann e Usiminas são apenas algumas. Na outra ponta, os recursos são distribuídos para entidades em todo o Estado.

Procurada por este jornal por dez dias, Andréa informou, via sua assessoria, que não concederia entrevista sobre questões pessoais.